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“Me arruinaram”, diz Dirceu diante da ameaça de ser preso

Ex-ministro afirmou a amigos que poderia aderir a acordo de colaboração com a Justiça. (Foto: J. F. Diorio/AE)

Em meio às notícias da semana de que poderia ser preso, José Dirceu desabafava com interlocutores: “Me arruinaram”. Afirmava que, depois da Operação Lava-Jato, as empresas que ainda mantinham contratos com sua consultoria decidiram por interrompê-los.

O ex-ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (janeiro de 2003 a junho de 2005) disse a amigos também que, embora poucos acreditem, sua empresa tem hoje cerca de 3 milhões de reais em dívidas de impostos. E que está se desfazendo de patrimônio para quitá-las.

Nos tempos áureos, o petista chegou a ter, entre seus clientes, a Companhia de Bebidas das Américas, a Hypermarcas, o grupo ABC, do publicitário Nizan Guanaes, os bilionários Carlos Slim e Ricardo Salinas, do México, e Gustavo Cisneros, da Venezuela. E praticamente todas as grandes empreiteiras do País, hoje envolvidas no escândalo investigado na Operação Lava-Jato.

Em prisão domiciliar, o ex-ministro afirma que agora se dedica a cuidar de Maria Antonia, sua filha de 5 anos. Acabou também de gravar entrevistas para um livro em que relatará seus tempos de detenção vividos na Papuda, em Brasília (DF).

Dirceu admitia a interlocutores que a tensão que já estava vivendo havia quatro meses, com os boatos de que poderia ser preso a qualquer momento, o deixava “mal”. Amigos afirmam que a depressão seria tal que o petista poderia, caso preso, no limite, aderir a um acordo de colaboração com a Justiça. No fim da semana passada, no entanto, ele dizia: “Eu enfrento qualquer situação”.

Pedido negado

O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato na primeira instância, indeferiu o pedido feito pela defesa do ex-ministro da Casa Civil para ter acesso ao conteúdo da delação premiada do empresário Milton Pascowtich, preso na 13 fase da operação, deflagrada em maio. O acordo foi homologado pela Justiça Federal no dia 29 de junho.

Na mesma data, ele foi solto para cumprir prisão domiciliar, sendo monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica. Até então, Pascowtich estava detido na carceragem da PF (Polícia Federal), em Curitiba, no Paraná. Pascowitch é suspeito de ser um dos operadores de pagamento de propina em contratos fraudulentos entre empreiteiras e a Petrobras.

Os termos e depoimentos prestados pelo suposto encarregado ainda estão sob sigilo, que é “indispensável no momento para a eficácia das diligências investigativas em curso a partir dele”, conforme Moro. A decisão do juiz foi tomada na sexta-feira, mas só foi divulgada nessa segunda-feira.

Quando o acordo de delação premiada foi homologado, o advogado Theodomiro Dias, que representa Pascowtich, disse que não se manifestaria sobre a delação do cliente e nem sobre a prisão domiciliar. Na semana passada, os advogados de Dirceu também solicitaram ao Supremo Tribunal Federal acesso aos depoimentos dados à Justiça pelo presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, em seu acordo de delação premiada.

Elo

Pascowitch atuava como elo entre a diretoria de Serviços da Petrobras e o PT, segundo as investigações. O contato era feito por meio da JD Consultoria, de propriedade do ex-ministro, conforme a PF. Pascowitch operava junto à Engevix, empreiteira com contratos com a estatal e que é acusada de pagar propinas a diretores.

Por meio de uma empresa própria, ele pagou 1,4 milhão de reais à consultoria de Dirceu, que nega irregularidades. Os pagamentos foram feitos entre 2011 e 2012, de acordo com o delegado Igor Romário de Paula.

Pascowitch fez o repasse por meio da Jamp Engenheiros Associados Ltda. A Jamp era responsável por repassar a propina paga pela construtora Engevix, segundo relatou o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco. O vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, que também cumpre prisão domiciliar, afirmou, em depoimento, que, além de pedir doação de campanha ao PT, Pascowitch intermediou pagamento de propina da Engevix com a diretoria de Serviços da Petrobras, que era então ocupada por Renato Duque. O ex-diretor está preso no Complexo Médico-Penal, em Pinhais (Paraná). (Mônica Bergamo/Folhapress e AG)

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