Você sabia que há um estupro a cada 11 minutos? Mas este número é subnotificado e, segundo especialistas, pode ser até dez vezes maior. Muitas vezes, os crimes não chegam às delegacias porque ainda há muito preconceito até mesmo por parte dos policiais. Por outro lado, as mulheres têm vergonha de ser vítima deste tipo de crime e abrem mão de procurar punição para os agressores que, na maioria das vezes, são pessoas conhecidas.
A ginecologista Cláudia Cabral fez um relato emocionado de um caso bárbaro com uma menina de 10 anos que foi vítima de um vizinho: “Ela estava muda por mais de 2 meses e o único som que eu ouvi foi um choro baixo e doído. O exame ginecológico era indescritível. Parecia ter sido submetida à tortura com aqueles aparelhos medievais inimagináveis. Sua vulva era um buraco só. Havia ruptura perineal completa, unindo uretra, vagina e ânus num buraco irregular e único. Imaginei a dor física. Só imaginei. Imaginei a dor psicológica. Só imaginei. E chorei. Nunca me esqueci. O que nunca consegui imaginar foi que criatura teria feito aquilo com ela. Estou sem resposta até hoje”, lembra a médica.
A advogada criminalista Maíra Fernandes, do Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher, defende que a as mulheres precisam que os homens também abracem esta causa. “Não por nós, mas conosco”, acrescenta.
