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Médicos que aparecem debochando do quadro de saúde da ministra Marina Silva são funcionários públicos

Dos três médicos que aparecem na conversa, dois têm contrato na Secretaria de Saúde do Acre. (Foto: Reprodução)

Os médicos Nilton Eliseo Torrez Chavez e Jorge Lucas da Fonseca, que agora são investigados pelo Conselho Regional de Medicina no Acre (CRM-AC) por conta de print vazado na última segunda-feira (8) em que profissionais debocham do estado de saúde da ministra do Meio Ambiente Marina Silva, têm vínculo com a Secretaria de Saúde do estado (Sesacre).

Os prints mostram conversas que seriam de um grupo de médicos em que Jorge Lucas da Fonseca, Grace Mônica Alvim Coelho e Nilton Chaves debocham do fato de Marina Silva estar infectada, mesmo tendo as doses da vacina contra a covid. A ministra foi diagnosticada com a doença no último sábado (6) e internada. Na quarta-feira (10), ela teve alta médica.

O governo do Acre informou que Grace Mônica Alvim Coelho é aposentada do Estado, mas que os outros dois médicos, Nilton Eliseo Torrez Chavez e Jorge Lucas da Fonseca, ainda possuem vínculo com a Sesacre. Questionada se está havendo alguma investigação pelo fato de os profissionais disseminarem conteúdo antivacina, a gestão informou que “avalia juridicamente se cabe ou não a abertura de um procedimento administrativo.”

Médicos

Grace Mônica Alvim Coelho trabalha como ginecologista e obstetra. Além disso, Grace já foi secretária de Saúde do Acre entre 1999 a 2004, na gestão de Jorge Viana.

Ela informou que o grupo é fechado e é comum debates de diversos assuntos, já que os participantes têm opiniões diferentes. Sobre os comentários questionando a vacinação contra a covid feitos pelos colegas do grupo, ela não disse discordar, apenas afirma que comentou baseada no que estudou durante a carreira. Os outros profissionais não se manifestaram.

Também na busca do CRM, Nilton Eliseo Torrez Chavez aparece como cirurgião geral, cirurgião torácico, e especialista em diagnóstico por imagem. Ele também atua em consultórios particulares de Brasileia e Rio Branco.

Jorge Lucas da Fonseca também não exibe especialização no sistema do conselho. Em buscas na plataforma CatalogoMed, é possível observar que seria clínico geral. Os sites mencionados não citam quando foi feita a última atualização sobre os dados dos médicos.

Entenda o caso

Após a divulgação de prints de conversas em um grupo de médicos, o CRM-AC abriu uma sindicância para apurar a conduta dos profissionais que debocharam do diagnóstico de covid da ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, e fizeram comentários antivacina.

A conversa vazou no domingo (7), mas o CRM só se posicionou na quarta-feira (10), três dias depois.

Jorge Lucas encaminhou uma notícia sobre o diagnóstico da ministra com a legenda: “Ué, não era vacinada?” O mesmo médico reforça o comentário, em seguida, e afirma: “será que ela não tomou a vacina?”

Em seguida, outra profissional, que seria Grace Mônica Alvim Coelho, comenta: ‘Coisas da vida… E da vacinação!’. Por fim, outro médico, Nilton Chaves, acrescenta: “Tomara que o vírus da covid esteja bem.”

Por meio de nota, o CRM confirmou a apuração, e afirma que o processo será feito de acordo com o Código de Processo Ético-Profissional e pelo Código de Ética Médica.

Logo após a divulgação da conversa, o Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed) afirmou que o grupo no qual as mensagens foram enviadas não é administrado pela entidade, e destacou que “O único grupo oficial é chamado de ‘Filiados’, existindo regras claras que proíbem a manifestação política, permitindo apenas assuntos médicos, debates trabalhistas, sindicais e a divulgação de informações do sindicato”.

“A apuração terá como parâmetro as normas e os critérios estabelecidos pelo Código de Processo Ético-Profissional e pelo Código de Ética Médica”, diz a nota.

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