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Médicos relacionam o uso de ivermectina a hepatite e necessidade de transplante de fígado

O medicamento não é eficaz quando utilizado no tratamento da covid-19. (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)

O uso indiscriminado de medicamentos do chamado “kit covid”, como a ivermectina, levou pacientes a desenvolverem graves de lesões no fígado, que demandam até necessidade de transplante, segundo médicos do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e do hospital da Universidade de Campinas (Unicamp).

Ao menos quatro pacientes que fizeram uso desses remédios estão na fila de transplantes após serem atendidos nesses dois hospitais.

O uso da ivermectina, hidroxicloroquina e outros medicamentos que não têm eficácia comprovada contra o coronavírus está sendo apontado como causa de morte por hepatite de ao menos três pessoas, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo o professor Luiz Carneiro D’Albuquerque, diretor do Serviço de Transplantes de Órgãos do Aparelho Digestivo do HC da USP, um transplante de fígado foi feito em uma mulher de 61 anos, sem comorbidades, que teve covid-19 no ano passado e tomou ivermectina. Os médicos identificaram lesões irreversíveis nos dutos hepáticos, associadas a quadros infecciosos.

“A ivermectina seca os dutos biliares e faz com que a bile deixe de ser eliminada e volte para o sangue, causando infecções”, disse D’Albuquerque.

Na mesma UTI, um homem de 53 anos, de porte atlético e sem antecedentes de doenças crônicas, aguarda entrar na lista de transplantes. Ele foi diagnosticado com covid-19 em dezembro passado e, logo depois do Natal, notou os olhos amarelos. Ao fazer os exames, soube que tinha lesões graves no fígado.

Ele relatou uso continuado de ivermectina, azitromicina e, quando teve covid, também amoxicilina.

“Ele tomou tudo o que tinha direito e, quando teve covid, não precisou ser hospitalizado e achou que estava bem. O problema veio depois”, disse o médico.

D’Albuquerque afirma que o quadro de hepatite isquêmica surpreendeu os médicos, pois a covid-19 não costuma acometer o fígado. Por isso, os médicos associaram o uso das drogas do kit covid com lesões prévias que deixam o órgão mais vulnerável à ação do vírus. Agora, os especialistas estão acompanhando os casos para avaliar quanto da destruição do órgão foi causada pelos remédios e quanto pelo vírus.

D’Albuquerque alerta ainda que a associação de azitromicina e amoxicilina pode ser lesiva ao fígado, mesmo em pequenas doses. Ele lembra que é necessário sempre consultar um médico antes de tomar qualquer remédio.

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