Mensagens detalham uma estrutura de recrutamento de mulheres para festas privadas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com participação de agenciadores e organizadores de eventos. Segundo reportagem do UOL, as conversas indicam que brasileiras e estrangeiras eram levadas a encontros com Vorcaro, amigos e convidados, incluindo autoridades, no Brasil e no exterior.
Os diálogos apontam que o banqueiro participava da seleção das mulheres, negociava valores e definia quem permaneceria no grupo. Também havia discussões sobre a criação ou utilização de uma agência de modelos para centralizar as contratações.
A Polícia Federal (PF) investiga o caso desde maio, incluindo a participação de garotas de programa estrangeiras e possíveis irregularidades na contratação dos serviços. A defesa de Vorcaro afirmou que não vai se manifestar.
A prostituição não é crime no Brasil, mas exploração sexual, favorecimento da prostituição por terceiros e tráfico de pessoas podem configurar crimes, conforme as circunstâncias e os elementos apurados. Entre os investigados citados pelo UOL estão Leonardo Serrano, empresário do setor de eventos, e Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo que, segundo as mensagens, recebia R$ 120 mil mensais de Vorcaro.
Recrutamento e seleção
Nas conversas, Vorcaro e Batista utilizavam termos depreciativos para se referir às mulheres e discutiam estratégias de recrutamento. As mensagens também indicam que elas eram distribuídas conforme as preferências do banqueiro e o perfil dos eventos.
Um dos episódios envolve uma ucraniana de 19 anos, refugiada da guerra, que chegou ao grupo em outubro de 2023, durante a organização de uma festa de Halloween. Após a jovem permanecer no Brasil, os diálogos passaram a tratar de sua hospedagem e de seu deslocamento.
Em novembro daquele ano, Batista informou que havia três refugiadas ucranianas no grupo. Posteriormente, compartilhou dados do passaporte da jovem para organizar uma viagem ao Rio de Janeiro e afirmou que ela não poderia retornar à Ucrânia devido aos riscos no país.
Nas mensagens, Batista sugeriu incluí-las em uma agência de modelos. A proposta voltou a aparecer nos meses seguintes, junto de discussões sobre hospedagem e recrutamento. Em abril de 2024, Vorcaro determinou que mulheres russas e ucranianas fossem dispensadas e afirmou que avaliaria pessoalmente quem permaneceria.
Agência de modelos
As conversas também mencionam negociações envolvendo a Allure Eventos, empresa que teria sido considerada para centralizar as contratações. Em dezembro de 2023, Vorcaro recebeu um contrato para adquirir 50% da agência por R$ 1,5 milhão, em três parcelas.
Segundo o UOL, um comprovante encontrado no celular do banqueiro registra uma transferência de R$ 500 mil da Super Empreendimentos para Felipe Nisti Cataldo, proprietário da empresa. Nisti, porém, afirmou que a negociação não avançou nos termos descritos nas mensagens e disse que precisaria verificar a origem e a finalidade do pagamento.
Os diálogos ainda registram pedidos de dinheiro para alugar imóveis destinados às mulheres e propostas de separá-las entre encontros privados e eventos maiores.
Festas internacionais
A estrutura descrita nas conversas incluía viagens para Paris, Londres, Roma e Dubai. Serrano seria responsável por parte da logística, incluindo passagens, hospedagens e contatos com promotores locais.
Em uma festa de Halloween realizada em São Paulo, em outubro de 2023, as mensagens mencionaram dezenas de mulheres recrutadas por diferentes intermediários. Em eventos no exterior, os diálogos também tratavam de pagamentos, compras e encaminhamento de participantes para encontros privados.
Segundo o UOL, uma festa em Londres, em abril de 2024, reuniu autoridades de Brasília, e Vorcaro pediu que mulheres fossem levadas ao seu quarto de hotel. As conversas também mencionaram o recrutamento de participantes para eventos em outras cidades europeias.
Os diálogos registram divergências entre os envolvidos sobre responsabilidades e possíveis consequências das atividades. Em fevereiro de 2024, Serrano negou envolvimento em tráfico de pessoas e atribuiu responsabilidades a Batista.
As mensagens, isoladamente, não comprovam a ocorrência de tráfico internacional de pessoas. A investigação deverá esclarecer as condições de recrutamento, deslocamento e permanência das mulheres, além de eventual exploração. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
