O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação brasileira em 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,09% para 5,11%. Esta é a 13ª semana consecutiva de alta nas previsões dos analistas consultados pela autoridade monetária.
O movimento ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que provocou forte valorização do petróleo no mercado internacional. Como o Brasil ainda depende dos preços globais para a formação dos valores dos combustíveis, a escalada da commodity amplia as pressões inflacionárias e eleva as preocupações dos investidores com o comportamento dos preços nos próximos meses.
A projeção do mercado permanece acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Desde o início de 2025, o Brasil adotou o sistema de meta contínua, no qual o objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é manter a inflação em 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o IPCA é considerado dentro da meta quando permanece entre 1,5% e 4,5%.
As expectativas para os anos seguintes também apresentaram leve deterioração. Para 2027, a projeção dos economistas avançou de 4,02% para 4,03%, permanecendo próxima ao limite superior do intervalo de tolerância.
O cenário de inflação mais resistente tem impacto direto sobre as expectativas para a política monetária. Os analistas passaram a prever um ritmo mais lento de redução da taxa básica de juros nos próximos anos. A estimativa para a Selic ao final de 2026 subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. Para o encerramento de 2027, a projeção avançou de 11,25% para 11,5%.
Atualmente, a taxa básica está em 14,5% ao ano, patamar considerado elevado e que reflete o esforço do Banco Central para conter a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e os investimentos e tendem a desacelerar a atividade econômica, mas são vistos pela autoridade monetária como instrumento necessário para controlar a alta dos preços.
Apesar da piora nas expectativas inflacionárias, os economistas mantiveram uma visão relativamente estável para o crescimento da economia brasileira. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,9% para 1,91%. Já para 2027, a expectativa permaneceu em 1,7%.
A leitura do mercado é que a economia continuará crescendo, embora em ritmo moderado, diante dos efeitos dos juros elevados e do cenário internacional mais incerto. A desaceleração global, especialmente em economias desenvolvidas, também é apontada como um fator de atenção para os próximos anos.
No câmbio, as previsões tiveram leve melhora. A estimativa para a cotação do dólar ao final de 2026 caiu de R$ 5,16 para R$ 5,15. Para 2027, a projeção recuou de R$ 5,25 para R$ 5,20 por dólar.
O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas de mais de uma centena de instituições financeiras e consultorias econômicas e é considerado um dos principais termômetros das projeções do mercado para inflação, juros, crescimento econômico e taxa de câmbio.
