No primeiro ato de campanha após o ataque ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), Flavio Bolsonaro afirmou que seu pai “não vai ser eleito por causa de uma facada. Ele tomou a facada porque já estava eleito. Essa é a realidade, doa a quem doer”. O deputado estadual do Rio de Janeiro deu a declaração ao ser questionado sobre a fala do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas. O general disse que o atentado pode fazer com que o próximo governo tenha sua legitimidade contestada.
“Por exemplo, com relação a Bolsonaro, ele não sendo eleito, ele pode dizer que prejudicaram a campanha dele. E, ele sendo eleito, provavelmente será dito que ele foi beneficiado pelo atentado, porque gerou comoção. Daí, altera o ritmo normal das coisas e isso é preocupante”, afirmou Villas Bôas em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
Neste domingo, Flavio também afirmou que não acha que o País esteja dividido, como indicou o general. “Está mais do que nunca unido em torno do Bolsonaro e vai ser no primeiro turno. Eles queriam matar o meu pai para tirá-lo da disputa”, declarou, com a voz rouca.
O candidato a vice general Hamilton Mourão (PRTB) se limitou a dizer que “essa é a opinião dele [general Villas Bôas]”.
Com a impossibilidade de Bolsonaro sair do hospital Albert Einstein, para onde foi transferido na sexta-feira, os filhos e Hamilton Mourão assumirão a campanha presidencial nas ruas.
Flavio diz que deve se concentrar no Rio, e Eduardo, em São Paulo.
Em discurso aos apoiadores, neste domingo, durante comício em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, o deputado Flavio Bolsonaro afirmou que foram dias difíceis, mas que seu pai está se recuperando bem e está andando. “Nosso capitão está dando ordens de dentro do hospital, diferente daqueles que dão ordens de dentro da prisão”, disse, em referência a Lula.
O filho do candidato à Presidência também criticou a imprensa por “tratar” Adélio Bispo de Oliveira, o agressor, como “maluco” e o chamou de “terrorista”.
“Meu pai foi até onde pode, agora é com a gente”, conclamou Flavio.
Lideranças ligadas a Jair Bolsonaro têm tentado frisar publicamente que o ataque foi premeditado por um grupo de pessoas e associar o episódio ao PSOL, partido ao qual Oliveira foi filiado de 2007 a 2014 em Uberaba, em Minas Gerais. O partido repudia as ligações e diz que não tem nenhuma relação com o caso.
Depois do ato, falando com jornalistas, Flavio que teme pela própria segurança porque considera o atentado um ato premeditado que visava a família toda. Ele informou que aumentou a segurança da campanha a senador e afirmou que em poucos dias será divulgado o resultado das investigações sobre o crime que considera premeditado, e não obra de um louco, “como diz parte da imprensa”.
A Polícia Federal está investigando o ataque a Bolsonaro.
