A apresentação de Eduardo Leite na Fecomércio-RS não foi apenas um balanço de gestão, mas um ato político calculado. Ao escolher o título “Meu Rio Grande está diferente”, o governador buscou fixar uma narrativa: a de que o Estado saiu da insolvência e entrou em uma fase de reconstrução.
O discurso foi recheado de números — redução do déficit previdenciário, renegociação da dívida, aumento da capacidade de investimento de 2% para quase 11% da receita corrente líquida, R$ 70 bilhões assegurados em concessões e PPPs. Os dados apresentados tinham um objetivo claro: convencer empresários e lideranças de que o Rio Grande do Sul recuperou credibilidade e pode competir em nível nacional.
Mas o impacto não está apenas nos números. Leite fez questão de lembrar que, antes, salários eram pagos em parcelas, hospitais acumulavam dívidas e municípios precisavam entrar na justiça para receber repasses. Hoje, segundo ele, tudo está em dia. Essa comparação entre o “antes” e o “depois” foi a espinha dorsal da palestra.
Do outro lado, Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS, trouxe a voz do setor terciário. Sua fala foi direta: sem infraestrutura adequada, não há competitividade. O recado foi claro — empresários reconhecem avanços, mas exigem mais velocidade e clareza nas políticas públicas.
O evento também teve um subtexto político. Ao admitir que pode disputar o Senado em 2026, caso sua candidatura presidencial não avance, Leite sinalizou que sua trajetória nacional está em aberto. A palestra, portanto, foi tanto prestação de contas quanto posicionamento estratégico.
Eduardo Leite conseguiu transformar uma apresentação técnica em narrativa política. Ao lado de Bohn, mostrou que o Rio Grande do Sul mudou, mas também que precisa consolidar essa mudança. O desafio agora é provar que os números apresentados se traduzem em qualidade de vida para a população e em competitividade real para o setor produtivo. (por Gisele Flores -gisele@pampa.com.br)
