O governo do México informou nesta terça-feira (25) que os primeiros lotes da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca e da Universidade de Oxford envasadas no país começarão a ser distribuídos nesta semana. A previsão é que de quatro a seis lotes sejam produzidos por semana como parte de um acordo fechado entre a AstraZeneca, o México e a Argentina.
As doses também serão enviadas a outros países da América Latina, com exceção do Brasil, que tem um contrato próprio com o laboratório britânico.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, o lote inicial, de 1,6 milhão de doses, será repartido igualmente entre seu país e a Argentina. Um voo com as vacinas partirá para Buenos Aires neste fim de semana.
O laboratório mexicano Liomont, que está envasando as doses, recebeu em janeiro os primeiros lotes com a substância ativa da vacina, produzida pela mAbxience, da Argentina. O acordo representa uma esperança para muitos países latino-americanos, que ainda lutam para obter um número suficiente de imunizantes.
Em fevereiro, Ebrard reconheceu que o envase e a distribuição do produto sofreriam atrasos por causa de um complexo processo de certificação que obrigou o Liomont a fazer grandes mudanças em sua fábrica. Em seguida, o governo do México afirmou que a entrega das primeiras doses ocorreria no início de abril, mas o prazo foi mais uma vez adiado.
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, participou da entrevista coletiva de seu colega mexicano, Andrés Manuel López Obrador, para anunciar a entrega dos primeiros lotes da vacina produzida pelos dois países.
Fernández afirmou que a notícia torna os dois países “mais independentes” na luta contra o vírus. Obrador destacou que, com a produção própria, México e Argentina terão vacinas para proteger suas populações e para ajudar outros países da região.
Estudo
Especialistas em AVC do Reino Unido descreveram em detalhes, pela primeira vez, a relação de coágulos arteriais em jovens adultos com a vacina contra covid-19 da Oxford/AstraZeneca. O artigo, liderado por David Werring do Stroke Research Center, UCL Queen Square Institute of Neurology, foi publicado em formato de carta na versão online do Journal of Neurology Neurosurgery & Psychiatry.
Apesar da correlação dos casos, um dos autores, Hugh Markus, do Departamento de Neurociências Clínicas da Universidade de Cambridge, lembra que “esses efeitos colaterais são raros e muito menos comuns do que a trombose venosa cerebral e acidente vascular cerebral isquêmico associado à própria infecção por covid-19”.
Além disso, o uso da vacina foi apoiado pela Organização Mundial da Saúde e pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Esta última fez uma avaliação técnica e considerou o imunizante seguro e eficaz.
A carta descreve três casos. A primeira paciente, uma mulher na casa dos 30 anos, teve uma dor de cabeça intermitente no lado direito e ao redor dos olhos seis dias após a vacina. Cinco dias depois, ela acordou com sonolência e fraqueza no rosto, braço e perna esquerdos.
Exames revelaram uma artéria cerebral bloqueada com infarto cerebral e coágulos de sangue em uma veia. Ela foi submetida a uma cirurgia no cérebro para reduzir a pressão em seu crânio, remoção e reposição de plasma, e recebeu um anticoagulante, mas faleceu.
A segunda paciente, uma mulher com quase 30 anos, apresentou dor de cabeça, confusão, fraqueza no braço esquerdo e perda de visão no lado esquerdo 12 dias após ter recebido a vacina.
A imagem mostrou bloqueios em vários vasos, incluindo ambas as artérias carótidas (o principal suprimento de sangue para os hemisférios do cérebro) e artérias que irrigam o coração e os pulmões (embolia pulmonar).
A contagem de plaquetas da paciente aumentou após a remoção e reposição do plasma e corticosteróides intravenosos. Ela então recebeu medicamentos e melhorou.
O terceiro caso, um homem com cerca de 40 anos, apresentou problemas de fala e compreensão da linguagem (disfasia) três semanas depois da aplicação da vacina. Exames mostraram um coágulo na artéria cerebral média esquerda, mas não havia evidência de coágulos nos seios venosos cerebrais. Ele recebeu uma transfusão de plaquetas e plasma e fondaparinux, e permanece estável.
Segundo os pesquisadores, as pessoas que sofreram esta forma incomum de acidente vascular cerebral (trombose do seio venoso cerebral) também tiveram baixa contagem de plaquetas (trombocitopenia) e anticorpos contra o fator plaquetário 4 (PF4) — proteínas que ajudam a formar coágulos.
