Com a tramitação da reforma da Previdência suspensa, o presidente Michel Temer apontou a apresentação de duas denúncias contra ele, no ano passado, como a origem do cenário que impossibilitou o andamento da proposta no Congresso Nacional.
O presidente classificou novamente as denúncias contra ele como “pífias” e repetiu que o esquema “veio à luz”, pois há delatores presos e “quem não está preso está desmoralizado.” Ele disse que “houve equívocos” nos acordos de colaboração e, por causa disso, chegaram a ser anulados.
Temer defendeu que é preciso “reinstitucionalizar” o Brasil após as delações premiadas contra ele. “O País está perdendo um pouco as suas instituições mais verdadeiras e leais.”
Perguntado sobre se o discurso não legitimava a tese do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se diz vítima de uma perseguição política, ele respondeu que estava “fazendo uma consideração de natureza política, e não jurídica”.
Presidentes
Na entrevista, Temer evitou apontar quem foi o melhor e o pior presidente do País. Ele disse que, após o período de redemocratização, cada um fez sua parte. As críticas foram direcionadas à ex-presidente Dilma Rousseff. O presidente afirmou que, como vice, não era ouvido pela petista e era um “vice decorativo”. Temer disse ainda que o governo Dilma se preocupou com a área social, mas foi um “desastre” na área econômica.
Discutir a reforma
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, voltou a afirmar nessa quarta-feira que a reforma da Previdência terá que, inevitavelmente, voltar a ser debatida após a intervenção Federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro. De acordo com Meirelles, que concedeu uma entrevista de 25 minutos à Rádio Paiquerê AM, de Londrina (PR), 80% do Produto Interno Bruto brasileiro será usado só para arcar com as despesas previdenciárias se a reforma não for feita em dez anos.
Meirelles afirmou que a intervenção no Rio era necessária. O problema, lembrou o ministro, é que enquanto a intervenção vigorar nenhuma proposta de emenda Constitucional pode ser votada pelo Legislativo. “Inclusive a PEC da Previdência”, disse. No entanto, segundo o Meirelles, a reforma não é um tema para o curto prazo. “A reforma é necessária e o melhor seria que fosse aprovada o quanto antes”, avaliou.
