Nessa terça-feira, o presidente Michel Temer utilizou a sua conta no Twitter para justificar a sua agenda com quase 50 deputados, afirmando que é preciso “lidar com mais uma denúncia inepta e sem sentido proposta por associação criminosa que quis parar o País”. O adjetivo “inepto”, no caso, significa uma denúncia que não preenche os requisitos legais para produzir efeito jurídico.
A segunda denúncia contra o peemedebista foi proposta pela PGR (Procuradoria-Geral da República) quando o órgão ainda estava sob o comando de Rodrigo Janot, que deixou o cargo no dia 17 do mês passado, dando lugar a Raquel Dodge. Procurada, a assessoria do presidente não respondeu se, de fato, o chefe do Executivo se referia ao Ministério Público como “associação criminosa”.
A denúncia, cuja continuidade ainda depende da autorização pela Câmara dos Deputados, acusa Temer de agir para obstruir a Justiça e de formar organização criminosa. “O Brasil não será pautado pela irresponsabilidade e falta de compromisso de alguém que se perdeu pelas próprias ambições”, escreveu Temer, em uma sequência de mensagens na rede social.
Ao justificar o agendamento de encontros com quase 50 deputados, que serão recebidos em audiências de forma separada ou em grupos, ele argumentou que se trata de uma rotina que sempre manteve. “O diálogo é fundamental para a harmonia entre os três Poderes”, ressaltou no texto.
Na lista, praticamente todos os deputados a serem recebidos são vinculados a partidos da base aliada do Palácio do Planalto. De acordo com fontes do primeiro escalão do governo, o presidente vai intensificar essas conversas com parlamentares, ouvir queixas e pedidos para garantir a vitória no Congresso Nacional, a exemplo do que ocorreu na primeira denúncia.
Projeção
Apesar de crer que não terá dificuldades para também derrubar a segunda denúncia, o Planalto quer tentar um número de votos ainda maior que o da primeira, que foi de 263 pelo arquivamento. A intenção é justamente tentar demonstrar que essa segunda acusação é ainda mais fraca que a primeira.
Com a saída de Janot da chefia da PGR, o Planalto acredita que terá um período de trégua com a nova procuradora-geral, Raquel Dodge, escolhida por Temer para o cargo apesar de ter ficado em segundo lugar na lista tríplice na eleição interna da PGR.
Na noite de segunda-feira, Temer usou sua conta no Twitter para elogiar Dodge depois de a procuradora-geral ter pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) que ele seja ouvido em inquérito que investiga suspeita de corrupção na edição de um decreto sobre o sistema portuário.
Na investigação por corrupção passiva, a primeira denúncia apresentada por Janot, a PF (Polícia Federal) enviou ao presidente uma lista de perguntas por escrito, mas Temer se recusou a responder.
