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Milei faz publicações em série em apoio a Flávio contra Lula

Milei publicou no dia da votação brasileira mensagens chamando o aliado do PL de “fenômeno”. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O presidente da Argentina, Javier Milei, antagonista ideológico do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a fazer publicações em série neste domingo, dia 4, defendendo uma vitória do aliado e candidato de oposição no Brasil, senador Flávio Bolsonaro (PL).

Milei publicou no dia da votação brasileira mensagens chamando o aliado do PL de “fenômeno” e republicou fotos de Jair Bolsonaro e a mensagem: “Que as forças do céu estejam com vocês”.

“Por ele hoje”, diz uma das publicações com Milei ao lado de Flávio e uma montagem com Jair Bolsonaro, ex-presidente preso e condenado por tentativa de golpe de Estado.

Ele também publicou uma foto de Lula detido e fichado pelo DOPS, a polícia política do regime militar.

Ao chegar para votar, no Rio, Flávio disse a uma TV argentina: “Viva la Libertad, Carajo”, bordão político de Milei.

O presidente argentino já havia expressado desejo de mudança no poder no Brasil e de derrota de Lula, a quem chamou de corrupto, ladrão e comunista, reiteradas vezes. Ele compareceu pessoalmento a atos da campanha de Flávio Bolsonaro e atacou Lula, ato que abriu uma crise e levou ao rebaixamento das relações diplomáticas entre os países, como reação do Itamaraty.

Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que Milei deve ser um dos únicos presidentes da região a se insurgir contra o resultado, caso Lula se reeleja.

Eles veem como ainda incerta o comportamento de Aberlado de La Espriella, da Colômbia.

Os demais presidentes de direita de países vizinhos, porém, devem reconhecer o resultado, segundo preveem interlocutores de Lula.

Eles contam que a Presidência da República espera retribuição ao suporte institucional prestado por Lula e o reconhecimento de seus triunfos recentes, em que pese terem derrotados aliados do petista.

Isso valeria para José Antonio Kast, do Chile, Keiko Fujimori, do Peru, Rodrigo Paz, da Bolívia, Daniel Noboa, do Equador, e Santiago Peña, do Paraguai.

Há uma incógnita em Brasília sobre qual seria a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso haja uma vitória de Lula, sobretudo, com placar apertado.

Nos últimos dias, Trump evitou se posiconar em apoio claro a Flávio Bolsonaro, mesmo quando questionado, e disse apenas que acompanhava de perto e com atenção as eleições no País.

Lula buscou reforçar a interlocução direta com Trump e pediu que ele não se intrometesse, apesar de o governo já ter denunciado antes ingerência eleitoral americana. O Planalto ficou convencido de que teria conseguido evitar uma declaração pessoal de Trump.

Existe uma preocupação nos bastidores do governo a respeito do efeito na sociedade brasileira de um eventual silêncio vindo de Washington, de um não reconhecimento explício ou do endosso de Washington a possível questionamento de derrota por parte de Flávio Bolsonaro (PL).

Para minimizar os efeitos, interlocutores de Lula passaram a dizer que uma manifestação americana, por parte de Trump, não mudaria nada. Mas houve esforço institucional do Itamaraty e do Tribunal Superior Eleitoral em reforçar as missões de observação eleitoral, a fim de minimizar questionamentos ao sistema de votação eletrônica.

Nos últimos dias, o irmão do presidenciável do PL Eduardo Bolonaro, ex-deputado cassado e condenado por coação, publicou manifestações de apoio internacional de Flávio e disse que teria ao menos seis declarações.

Mas apenas de ex-líderes menos expressivos, como a ex-presidente interina da Bolívia Jeanine Añez e do ex-presidente interino e ex-primeiro-ministro da Coreia do Sul, Hwang Kyo-ahn, ambos políticos conservadores.

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