O Ministério da Defesa não vê risco para uma ação militar dos Estados Unidos no Brasil após o Departamento de Estado Americano classificar pelo Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O entendimento é contrário ao do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que em ofício à Câmara dos Deputados afirmou que a classificação abre margem para o uso da força militar pelo governo americano em território brasileiro.
A pasta vem monitorando o tema enquanto o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, tem feito um périplo de conversas com suas contrapartes na América do Sul.
Depois de visitar Argentina e Chile, Múcio embarcou nessa terça-feira para o Peru, onde ocorre a Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA). Na quarta-feira, durante a programação do encontro, vai conversar com vice-ministro de Guerra dos Estados Unidos, Elbridge Colby. O ministro busca um canal de diálogo permanente com o auxiliar do presidente Donald Trump.
Antes de embarcar ao Peru, Múcio esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Alvorada para tratar do encontro e ouvir recomendações. O presidente pediu para ser informado de todos os desdobramentos.
O argumento que o ministro levará para essas conversas é que as organizações criminosas brasileiras não trazem risco para a soberania americana e, por isso, não haverá motivo para uma intervenção de forças americanas no Brasil. Outro ponto levantado é que as facções brasileiras não constituem um movimento político, mas grupos criminosos voltados ao tráfico de drogas, e que o governo brasileiro já atua para combatê-las internamente.
Uma avaliação feita internamente na Defesa é que há mais hostilidade nas discussões que envolvem a guerra tarifária entre Brasil e EUA do que no acirramento de ânimo das Forças entre os dois países sobre as facções brasileiras.
A meta do Ministério da Defesa é construir um clima pacífico junto aos EUA, com apoio dos países vizinhos, e acalmar as relações, tencionadas depois que os EUA classificaram PCC e CV como terroristas, contrariando o governo brasileiro. O Palácio do Planalto era refratário à classificação por ver risco de interferência norte-americana na gestão da segurança do Brasil.
Diferentemente do Ministério da Defesa, o Itamaraty demonstrou mais preocupação sobre uma eventual mobilização militar no Brasil. A diplomacia brasileira se manifestou em uma resposta a um requerimento de informação apresentado pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES).
“Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, diz trecho do documento.
No mesmo texto, o Itamaraty afirma que a medida “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento ao crime organizado” e poderá produzir impactos “tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional”. As informações são do jornal O Globo.
