Os cursos de medicina do País passarão a ser avaliados com mais rigor, de acordo com anúncio do MEC (Ministério da Educação). A partir do ano que vem, todas as instituições que formam médicos no Brasil receberão visitas de funcionários da pasta. Atualmente, essa inspeção é feita só em cursos com conceitos 1 e 2, numa escala que vai até 5, nas avaliações periódicas do MEC. Segundo as novas determinações, as faculdades com conceitos 3, 4 e 5 também serão visitadas.
Além disso, alunos do segundo, quarto e sexto anos farão exames anuais. Esta regra estava prevista na lei que criou o programa Mais Médicos e, segundo o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, facilitará o aperfeiçoamento das graduações.
“Dada a relevância da medicina, que cuida da vida das pessoas, vamos avaliar três vezes ao longo do curso. Isso permitirá verificar sinais de alerta e possibilitará à instituição corrigir problemas” disse Janine Ribeiro.
Para Paulo César de Jesus, diretor da faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, as provas auxiliarão na formação dos futuros médicos. “Ter avaliações é bom porque permite diagnóstico e, com isso, podemos corrigir as falhas no percurso”, diz, lembrando que o modelo foi amplamente discutido com os profissionais da área antes de ser proposto pelo governo. “O importante é que serão provas de habilidades que vão desde procedimentos cirúrgicos até como deve ser o atendimento.”
O secretário-geral do CFM (Conselho Federal de Medicina), Henrique Batista, também aprova o endurecimento da fiscalização e a implementação de provas periódicas, mas faz ressalvas. “Essa fiscalização já deveria ter começado. Vejo um atraso. E precisamos que o governo se posicione sobre pontos ainda obscuros das provas. Como elas serão realizadas? Quem serão os avaliadores? Qual será a metodologia? Nenhuma universidade sabe isso ainda”, alega ele.
Mudanças
Ao anunciar as mudanças, Janine Ribeiro respondeu críticas do CFM a respeito da recente criação de novas graduações em 42 cidades. Na semana passada, o conselho divulgou um levantamento dando conta de que parte dos cursos foi aberta em municípios que não atendem a critérios mínimos do MEC. “Não procedem as acusações ou observações de leniência na criação dos cursos”, disse. (Raphael Kapa e Renata Mrtz/AG)
