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Ministério da Saúde quer 3 bilhões de reais em empréstimo internacional para comprar vacinas

A chegada do imunizante aos postos depende do Ministério da Saúde. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Para adquirir vacinas contra a covid-19, o Ministério da Saúde pretende solicitar um empréstimo de R$ 600 milhões, o equivalente a R$ 3 bilhões, ao Banco Mundial. No documento, a pasta admite que a vacinação é necessária para a retomada econômica e defende ampliar o rol de imunizantes disponíveis para reduzir os números da pandemia no Brasil.

O discurso vem na contramão do que era defendido pelo governo federal ao longo de 2020, com a defesa do tratamento precoce — com medicamentos comprovadamente ineficazes contra a covid-19. Além disso, houve recusas e sucessivos atrasos nas assinaturas de contratos para adquirir vacinas, como no caso da CoronaVac, por meio do Instituto Butantan, e da Comirnaty, desenvolvida pela Pfizer.

“Está claro que a maneira mais efetiva para minimizar riscos atuais e futuros de aumento na taxa de transmissão do vírus e para a retomada sustentada das atividades econômicas se dará através de uma rápida expansão da cobertura vacinal. É nesse contexto que o Ministério da Saúde objetiva firmar parceria com o Banco Mundial para o enfrentamento da pandemia no Brasil”, diz a carta, enviada em 18 de junho.

Os recursos devem abastecer a pasta ao longo de dois anos e podem incluir gastos já orçados pelo governo, além de financiar despesas futuras.

“Do total de 660 milhões de vacinas contratadas, 135 milhões já foram recebidos ou são esperados até o final de junho. Outros 176 milhões de doses são esperadas para o terceiro trimestre, enquanto 310 milhões de doses são esperadas entre outubro e dezembro”, diz o documento.

O presidente Jair Bolsonaro minimizou a pandemia em diversas ocasiões e chegou a colocar em xeque a eficácia das vacinas, sobretudo a CoronaVac. Em uma das declarações, disse que quem tomasse a vacina poderia virar jacaré. Atualmente, a escassez de imunizantes tem levado à baixa cobertura vacinal, diante da terceira onda de casos e da detecção de novas variantes.

O Ministério da Saúde explicou que “o objetivo da proposta é solicitar ao Banco Mundial assistência técnica na distribuição e no monitoramento de vacinas”, não adquirir mais imunizantes.

“Cabe destacar que a solicitação de operação de crédito não adicionará mais vacinas ao Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. O orçamento atual é capaz de custear as 600 milhões de doses das vacinas covid-19 já contratadas para serem entregues até o fim do ano”, informa o comunicado.

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