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Ministério das Relações Exteriores do Brasil tenta evitar conflito diplomático com os Estados Unidos e trata fuga de Flávio Bolsonaro como problema da Justiça

Integrantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil estão evitando abordar a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. (Foto: Reprodução)

A palavra de ordem é cautela. Integrantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil estão evitando abordar a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos e adotam a justificativa de que esse problema é da Justiça e não do governo.

Mesmo com o cenário indicando a atuação dos governos de Javier Milei, na Argentina, e Donald Trump, nos EUA, no processo de fuga, a ideia, por ora, é não transformar o assunto em um embate diplomático entre os países. Com o presidente americano dando declarações ambíguas e colocando em xeque as eleições brasileiras, a avaliação é que agora é o momento de baixar a fervura.

Até o momento, os membros do Itamaraty têm falado que Flávio é mais um brasileiro que tem dívidas com a Justiça e que foge para Argentina ou EUA. Não há, por ora, intenções de fazer cobranças públicas ou pedir esclarecimentos sobre a atuação dos governos Trump e Milei na fuga de Flávio após ser derrotado por Lula.

O senador chegou a Miami na manhã dessa quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil na noite do dia anterior pela fronteira entre o Paraná e a Argentina com seu passaporte italiano. Lá, embarcou em uma aeronave que fez escala no Equador e partiu para Miami.

Duas versões

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou nessa quarta-feira duas versões de uma carta com teor golpista. Na primeira versão, Flávio se dizia o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil após ser derrotado por uma diferença de 4,4 milhões de votos para Luiz Inácio Lula da Silva. Já na segunda, qualificou a si como “líder do Brasil”. Ambas as versões citam, sem provas, a existência de uma fraude nas urnas.

Após a operação de fuga do país, Flávio agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento. O parlamentar desembarcou em Miami, no estado da Flórida, na manhã desta quarta-feira.

O candidato derrotado do PL também anunciou que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir dos Estados Unidos, onde está com a família, e prometeu apresentar uma estratégia de mobilização de seus apoiadores nos próximos dias.

Na primeira versão do documento, Flávio registrou: “Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação”, afirma Flávio no discurso.

Logo depois, Flávio retirou o trecho “presidente eleito” e o substituiu por “líder” do Brasil. As informações são do jornal O Globo.

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