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Ministério Público do Trabalho vê indícios de assédio generalizado na pasta dos Direitos Humanos mesmo após saída de Silvio Almeida

De acordo com pessoas envolvidas no caso, Silvio Almeida se mudou e não informou o novo endereço no processo. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O Ministério Público do Trabalho (MPT) encontrou indícios de que a prática de assédio moral no Ministério dos Direitos Humanos é generalizada e não foi interrompida com a saída do ex-ministro Silvio Almeida. Ele foi demitido no ano passado, após denúncias de assédio e importunação sexual, inclusive contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Um inquérito do MPT apura supostos casos de assédio moral na pasta. O caso de Almeida é investigado pela Polícia Federal, em um processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério dos Direitos Humanos afirmou que, desde a posse da ministra Macaé Evaristo, apura todas as denúncias.

No começo das apurações, integrantes do MPT suspeitavam que o assédio moral no Ministério dos Direitos Humanos era pontual, concentrado no alto escalão da pasta, e envolveria servidores que lidavam com o então ministro Silvio Almeida. Mas depoimentos de vítimas e testemunhas anexados ao inquérito apontaram que as irregularidades continuaram, o que fez a investigação ser ampliada para outros departamentos.

A suspeita foi reforçada pelo alto número de afastamentos por saúde mental e pela troca de funcionários no ministério, o que chamou a atenção dos investigadores do Ministério Público do Trabalho. A investigação segue em curso.

Ao fim do inquérito, o MPT pode firmar um acordo para que a pasta adote medidas concretas para prevenir e combater o assédio moral e, na opção mais severa, processar o ministério na Justiça trabalhista e cobrar multa. Isso aconteceu no governo Bolsonaro, quando o MPT processou a Caixa por omissão nos casos de assédio sexual e moral cometidos pelo então presidente da estatal, Pedro Guimarães. O banco pagou R$ 10 milhões em multa.

Em janeiro, o Ministério dos Direitos Humanos apontou à Controladoria-Geral da União (CGU) “sérios indícios” de que a própria pasta, durante a gestão Silvio Almeida, retaliou uma funcionária que denunciou assédio sexual e moral no ministério. A apuração foi assumida pela CGU. A funcionária conversou com a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S.Paulo, sob a condição de ter a identidade preservada.

Procurado, o Ministério dos Direitos Humanos afirmou que lançará um “Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e de Discriminação”, para “promover um ambiente institucional saudável e seguro”. “Dentre as ações em andamento, destaca-se a Política de Bem-Estar, Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho, que inclui a oferta de atendimento psicológico aos funcionários do ministério”, afirmou a pasta.

 

(Estadão Conteúdo)

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