A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara aprovou nesta terça-feira (31) um convite para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, compareça à comissão para dar explicações sobre a saída do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entidade que representa instituições financeiras do País.
O requerimento para convocação o ministro foi apresentado pelo deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) e houve acordo para que fosse transformado em convite. Guedes não é obrigado a comparecer.
Ribeiro, que é presidente da comissão, fez um discurso duro. Para ele, os dirigentes dos dois bancos estatais devem “se debruçar com seus técnicos em suas salas de reuniões enormes e confortáveis e pensar como socorrer milhões brasileiros desempregados”.
“Perdemos o foco, conseguimos desempregar até o desempregado (…) Quando o governo perde o foco do que realmente o cidadão precisa e gasta o seu tempo em usar instituições com viés político a luz amarela tem que acender”, afirmou.
A ameaça de desfiliação dos dois bancos públicos da Febraban ocorreu após a entidade aderir à nota idealizada pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) condenando a “escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas”. Em contrapartida, foi divulgado um manifesto assinado por sete entidades da agroindústria.
“A única agenda do governo e do presidente Bolsonaro é criar crises, e o Brasil está à deriva. Não é a toa que o agronegócio já fez sua nota”, disse o deputado Léo de Brito (PT-AC).
O deputado Sanderson (PSL-RS), vice-líder do governo na Câmara, informou que o ministro Guedes pode comparecer no dia 29 de setembro para dar explicações aos parlamentares. Ele também disse que o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, está disposto a dar explicações.
Na sessão, também foi aprovado requerimento para realização de audiência pública coma presença dos presidentes da Caixa e Banco do Brasil para discutir o assunto.
Ameaça
O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, ameaçou romper contratos do governo com as empresas que pensaram em assinar o manifesto em favor da democracia capitaneado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O texto pedia a pacificação da República e respeito entre os poderes.
O presidente do banco, que estava em agenda no último sábado (28) junto com o presidente Jair Bolsonaro, também mencionou que o Exército está ao lado do chefe do Executivo, e não permitirão que ninguém da família do presidente seja preso, em caso de eventual ordem vinda do STF.
Pouco depois do anúncio do texto, tanto a Caixa quanto o Banco do Brasil disseram que abandonariam a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) insatisfeitos. Paulo Guedes foi comunicado por Guimarães ainda no sábado.
A Caixa prepara privatizações e poderia excluir contratantes caso assinassem, junto com mais de 200 entidades, o manifesto. Além disso, Guimarães teria ameaçado até com contratos da Petrobras, dos quais não tem influência.
