O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nessa segunda-feira (27) que o aumento do endividamento público brasileiro não pode mais ser atribuído ao crescimento dos gastos do governo. Segundo ele, desde 2024 esse fator deixou de ser o principal responsável pela trajetória da dívida, que atualmente é influenciada, sobretudo, pelo elevado patamar da taxa de juros. A avaliação foi apresentada durante entrevista concedida à Rádio Jornal de Pernambuco, na qual o ministro comentou o cenário fiscal do país e as perspectivas para os próximos anos.
Ao analisar as contas públicas, Durigan reconheceu que o nível de endividamento ainda preocupa o governo e admitiu que a situação está longe do ideal. Apesar disso, afirmou que as projeções da equipe econômica indicam uma melhora gradual desse indicador a partir do fim da década. Segundo ele, o compromisso do governo é demonstrar que existe um plano consistente para estabilizar a dívida e garantir maior previsibilidade para a economia brasileira.
“Nós temos que mostrar que o país tem caminho para seguir com uma trajetória sustentável”, afirmou o ministro durante a entrevista. Na avaliação de Durigan, transmitir essa confiança ao mercado e aos agentes econômicos é essencial para reduzir incertezas, fortalecer o ambiente de negócios e criar condições para o crescimento econômico de forma equilibrada.
Durante a conversa, o ministro também voltou a direcionar críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Durigan, decisões adotadas em 2022 provocaram impactos fiscais relevantes para a administração seguinte, especialmente em relação ao adiamento do pagamento de precatórios, o que, na avaliação dele, transferiu parte das obrigações financeiras para os anos posteriores.
Ao comentar as medidas adotadas pelo governo federal para controlar as despesas, Durigan ressaltou que a administração tem promovido bloqueios orçamentários sempre que necessário para assegurar o cumprimento das metas fiscais. Além disso, argumentou que programas de crédito não podem ser confundidos com aumento indiscriminado de gastos públicos.
“Esse ano nós estamos fazendo bloqueio orçamentário, o que o governo está fazendo sim, inclusive os governos anteriores fizeram, é alterações de crédito. Dar crédito para as pessoas, com risco dos bancos. As pessoas têm que pagar de volta esse crédito, pagar com uma taxa de juros ainda que mais baixa”, afirmou na entrevista.
O ministro também rebateu críticas de que o governo estaria ampliando despesas sem qualquer limite e defendeu as regras estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal como instrumento de controle das contas públicas. Segundo Durigan, a política fiscal em vigor estabelece mecanismos para conter o crescimento dos gastos e preservar a sustentabilidade da dívida ao longo do tempo.
Por fim, ele destacou que as perspectivas para as contas públicas em 2026 são mais favoráveis. De acordo com o ministro, o resultado fiscal poderá registrar um déficit considerado “muito pequeno” ou até mesmo alcançar superávit, dependendo principalmente do comportamento das receitas provenientes da exploração de petróleo, fator que poderá influenciar diretamente o desempenho das contas do governo federal.
