O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, cumpriu agenda oficial em Porto Alegre nesta sexta-feira (2). Durante visita à Santa Casa de Misericórdia no final da manhã, ele anunciou a edição de uma medida provisória que prevê a destinação de R$ 2 milhões à instituição, contemplada junto com outros hospitais de todo o País, em um repasse total de R$ 2 bilhões.
Em seguida, o titular da pasta esteve nos hospitais Moinhos de Vento e Conceição. No final da tarde, Queiroga ainda se reuniu com prefeitos gaúchos para tratar sobre a vacinação no Rio Grande do Sul.
Essa é a segunda visita feita ao Estado pelo ministro, que está no cargo desde 23 de março. A primeira foi realizada no dia 8 de abril, em um roteiro que incluiu encontro com o prefeito Sebastião Melo e o governador Eduardo Leite, além de visita ao Conceição e Hospital de Clínicas.
Vacinação
Marcelo Queiroga elogiou o avanço da campanha de vacinação contra o coronavírus e reforçou o compromisso de imunizar até dezembro todos os brasileiros maiores de 18 anos. O assunto foi comentado por ele ao percorrer a Santa Casa.
“Temos apenas um foco, que é a vacina aplicada no braço dos cidadãos”, garantiu. “O Ministério da Saúde trabalha junto a Estados e municípios para concluir o mais rápido possível a imunização de toda a população.”
Dados do governo federal apontam que até agora já foram entregues aos Estados mais de 135 milhões de doses de imunizantes contra a covid. Somente na última quarta-feira (30), o Rio Grande do Sul recebeu mais de 352 mil unidades da Pfizer e Oxford.
Destas, mais de 100 milhões já foram aplicadas, sendo que 47% da população-alvo já recebeu a primeira injeção e quase 17% estão com o ciclo vacinal completo – seja com a segunda dose ou dose única da Coronavac, Oxford e Pfizer ou então com a aplicação única da Janssen, que começou a ser utilizada no País há pouco mais de uma semana.
Polêmica da Covaxin
Em entrevista à imprensa na capital gaúcha, o ministro contemporizou ao ser questionado sobre informações levantadas pela CPI da Covid no Senado, no que se refere a suspeitas envolvendo plano de aquisição da vacina indiana Covaxin. Marcelo Queiroga declarou não haver preocupação com o assunto neste momento.
“O contrato está suspenso e a Controladoria-Geral da União [CGU] já foi categórica de que não há problemas com o contrato, mas suspendi por questão de conveniência e oportunidade, até porque o registro dado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] é uma licença de importação, com uma série de condições (…)”, frisou. “Minha preocupação com isso é zero.”
A Comissão Parlamentar de Inquérito apura o motivo pelo qual o governo federal priorizou esse imunizante e qual a influência do presidente Jair Bolsonaro na pauta, já que ele que procurou o governo da Índia em janeiro para pedir o envio do fármaco.
Pedido da prefeitura
Já no começo da noite, o ministro da Saúde foi recebido pelo prefeito Sebastião Melo e integrantes da Secretaria Municipal da Saúde. Também estiveram no encontro o senador gaúcho Luiz Carlos Heinze e o deputado federal Pedro Westphalen, ambos do PP.
Melo entregou um ofício reiterando o pedido de repasses federais – em um total de R$ 103 milhões – para cobertura de gastos extras no enfrentamento à pandemia. Também solicitou recursos para ampliação da rede de atenção primária – a lista abrange 11 unidades projetadas para fortalecer o atendimento, somando mais de R$ 40 milhões em investimentos necessários.
“Além de ratificarmos o pleito para repor recursos dedicados ao enfrentamento da pandemia, que o ministro irá avaliar, abordamos a expansão das clínicas da família, que são uma forma de qualificar o atendimento na atenção básica”, destacou o chefe do Executivo da capital gaúcha.
De março a dezembro de 2020, o Ministério da Saúde repassou R$ 340 milhões para ações de combate à covid na capital gaúcho, montante bem maior que os R$ 10 milhões recebidos de janeiro a março deste ano, considerados insuficientes pela prefeitura.
(Marcello Campos)
