O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou no domingo (12) que “não conhece” o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine. A declaração foi dada após ele ser questionado sobre o encontro do israelense com o ex-presidente da República Jair Bolsonaro. O chanceler também chamou de “desinformação” a versão de que Bolsonaro teria exercido papel na intermediação do resgate de brasileiros na Faixa de Gaza.
“Eu posso dizer que todo o esforço para a libertação dos brasileiros, desde o início, foi feito pelo governo do presidente Lula, por instrução dele, acompanhamento diário”, disse Vieira, em entrevista coletiva de imprensa no Itamaraty.
“Eu fui o interlocutor de todos os contatos com todos os governos envolvidos, e foi isso que resultou na conclusão exitosa desse acordo entre todos os países envolvidos. Isso é o que eu posso dizer, isso é o que existe. Além disso, eu acho que é desinformação”, emendou.
Quando jornalistas perguntaram se há um mal-estar entre o governo brasileiro e o embaixador de Israel, e se o Itamaraty estuda fazer alguma reclamação formal a Tel-Aviv após o encontro do diplomata com Bolsonaro, o ministro evitou comentar o assunto. Mas, ao voltar a ser questionado sobre o embaixador, o chanceler apenas respondeu: “Não conheço.”
Em entrevista à Globonews na sexta-feira, Vieira já havia dito que “não fala” com Zonshine, mas com o “chefe dele”, que é o ministro das Relações Exteriores de Israel, Eli Cohen.
Nessa segunda-feira (13), a aeronave VC-2, da Presidência da República, decolou do Egito rumo ao Brasil. A bordo, 32 passageiros que deixaram a Faixa de Gaza no domingo (12) e cumpriram a última etapa do voo de repatriação do governo federal. São 17 crianças, nove mulheres e seis homens: 22 brasileiros e dez palestinos familiares dos brasileiros trazidos no décimo resgate da zona de conflito no Oriente Médio.
Na quarta-feira, 8, Bolsonaro havia se reunido na Câmara com deputados do PL e o embaixador. Depois do encontro, bolsonaristas começaram a atribuir ao ex-presidente o andamento das negociações para a retirada dos brasileiros de Gaza.
“Quando temos um pigmeu diplomático no poder, os outros é que têm que fazer o serviço dele. Nem a proximidade (ou seria amizade?) de Lula e seu assessor Celso Amorim com os terroristas do Hamas serviu para algo”, escreveu o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no X (antigo Twitter), ao publicar declarações de Bolsonaro de que teria intermediado a saída dos brasileiros da região de conflito.
A ofensiva bolsonarista foi rebatida pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que também criticou o embaixador de Israel. “É nojenta a maneira como Bolsonaro e seus aliados tentam se aproveitar do drama dos brasileiros (as) ameaçados pelo massacre da população civil de Gaza”, escreveu a petista no também X. As informações são do portal de notícias Terra.
