A reunião de presidentes do Mercosul, que acontecerá nesta quinta-feira (3) em Buenos Aires (Argentina), terá como foco a agenda do bloco, e não assuntos políticos. Foi o que afirmou ao jornal O Globo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que viaja para a Argentina, onde participará da reunião do conselho de ministros do bloco.
Será a primeira vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará o país vizinho desde que Javier Milei assumiu a Casa Rosada. Devido a ataques diretos de Milei a Lula desde a campanha presidencial no país vizinho, os dois mandatários não se falam.
“Há duas cúpulas (do Mercosul) por ano. Há momentos em que é especificamente (a agenda do) Mercosul e há momentos em que há espaço para coisas políticas. Desta vez, da própria forma como foi organizado pela presidência argentina, vai ser um período muito curto. O presidente Lula vai chegar no dia 2. No dia 3, ele participará da reunião com os presidentes, marcada para às 11h, e embarcará de volta às 13h”, disse Vieira.
O chanceler de Lula ressaltou que há vários projetos em curso que estão em discussão. Citou como exemplos a adesão de um novo membro, que é a Bolívia, e as negociações externas do Mercosul. Também destacou a flexibilização das regras do bloco, com o aumento da lista de exceções que permitirão os países do bloco a discutir acordos com os países do Hemisfério Norte.
“Temos vários pedidos de negociação: Panamá, Canadá, Vietnã, Indonésia, entre outros. Os projetos de negociação com a União Europeia estão avançadíssimos. Cada dia mais o Mercosul se consolida como importante área de livre comércio, que representa um número importante de habitantes, uma infraestrutura importante de quatro países e que atrai a intenção e o interesse desses países. Nós temos inclusive de escolher e ver muito bem.”
Perguntado se Lula aproveitará a viagem à Argentina para visitar a ex-presidente Cristina Kírchner, que está em prisão domiciliar, Vieira disse que não há nada previsto na agenda.
Brics
Na semana passada, o Brics divulgou uma nota demonstrando preocupação com os ataques a instalações nucleares iraniana e defendendo o uso da energia nuclear para fins pacíficos. O grupo não mencionou os Estados Unidos e Israel. Segundo o ministro, o tema pode ser incluído na reunião de líderes do Brics, prevista para os dias 6 e 7 deste mês, no Rio de Janeiro.
“Pode haver alguma proposta de incluir algo na declaração final, e não vejo dificuldade nenhuma. É mais do que natural. Mas trabalhamos com uma declaração final com várias áreas relevantes, como em saúde e transações comerciais entre os países”, afirmou.
O fato de os presidentes da China (Xi Jinping) e da Rússia (Vladimir Putin) não estarem presentes na reunião do Rio não esvaziará o evento, assegurou Vieira. Ele lembrou que a ausência de Putin se deve ao mandado de prisão que tem contra si pelo Tribunal Penal Internacional desde 2023.
“O presidente Xi Jinping não vem agora porque não pôde, por conta das circunstâncias e da grande agenda dele, pesada como é. E ele nunca tinha prometido nada e já veio várias vezes ao Brasil. Virá o primeiro-ministro da China (Li Qiang), que é a segunda autoridade do país.” As informações são do jornal O Globo.
