O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros “não são legítimos”. A declaração foi feita em meio às discussões entre os dois países sobre investigações comerciais conduzidas pelo governo norte-americano, que podem resultar na imposição de novas taxas sobre exportações do Brasil.
Segundo Vieira, o governo brasileiro já encaminhou às autoridades dos Estados Unidos informações e esclarecimentos destinados a contestar as investigações em andamento. De acordo com o ministro, os dados fornecidos buscam demonstrar que não existem fundamentos suficientes para que o Brasil seja alvo das medidas tarifárias propostas.
“Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há porquê sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”, disse Vieira, nessa quinta-feira (4).
O ministro também afirmou que o interesse do Brasil é manter o diálogo com os Estados Unidos após a divulgação dos relatórios finais das investigações relacionadas à Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Esse instrumento é utilizado pelo governo dos EUA para avaliar práticas de outros países que possam ser consideradas prejudiciais ao comércio americano.
Os documentos referentes às investigações foram apresentados antes do prazo inicialmente estabelecido durante a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em Washington, no mês de maio. Segundo Vieira, a continuidade das conversas será importante para o acompanhamento dos resultados e para a busca de soluções negociadas.
“Eu disse que era nosso interesse manter conversas, sobretudo depois do anúncio dos laudos, dos relatórios finais das duas investigações sobre a Seção 301”, afirmou Vieira.
Até o momento, não há uma data definida para a conclusão das negociações entre os dois governos. O presidente Lula já confirmou presença na reunião do G7, que ocorrerá em Evian, na França. No entanto, ainda não foi confirmado se haverá um encontro bilateral entre Lula e Trump durante o evento para tratar especificamente das questões comerciais em discussão.
Uma das investigações conduzidas pelos Estados Unidos concluiu que 60 economias, entre elas o Brasil, não teriam adotado medidas consideradas suficientes para proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como consequência, o governo americano propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
Além disso, as autoridades norte-americanas propuseram uma tarifa adicional de 10% para economias que, segundo os EUA, possuem apenas proibições parciais ou compromissos formais de implementação de regras por meio de acordos de comércio recíproco. A União Europeia está entre os alvos dessa proposta.
As medidas ainda não entrarão em vigor imediatamente. Antes de qualquer implementação, haverá um período de consulta pública. O governo dos Estados Unidos receberá comentários por escrito até 6 de julho de 2026. No dia seguinte, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) realizará audiências públicas para discutir as ações propostas e avaliar as contribuições recebidas. (Com informações do portal de notícias g1)
