O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes classificou, nesta quarta-feira (03), como “histórico” seu voto no julgamento da 2ª Turma que concedeu liberdade ao ex-ministro José Dirceu, preso preventivamente após ser condenado duas vezes na Operação Lava-Jato.
A afirmação foi feita por Mendes ao se negar a comentar com jornalistas as críticas à decisão desta terça-feira (02) feita pelo coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, o procurador da República Deltan Dallagnol, que disse ser “incoerente” a decisão de libertar Dirceu.
“Tudo que tinha que falar sobre esse tema, falei no meu voto. Acho que até é um voto histórico, vocês poderiam anotar”, afirmou o ministro. Mendes participou na manhã desta quarta-feira de uma reunião no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com deputados da comissão da reforma política da Câmara.
Nesta terça-feira no julgamento da 2ª Turma, Mendes criticou a decisão dos procuradores da Lava-Jato de antecipar a divulgação de uma nova denúncia contra Dirceu com o objetivo declarado de tentar influenciar a decisão do STF. O ministro afirmou que a estratégia seria uma “brincadeira quase juvenil”.
Dirceu foi libertado por 3 votos a 2. Ele estava preso preventivamente desde 2015, no rastro das investigações da Lava-Jato. Após ser condenado, por duas vezes, o juiz Sérgio Moro manteve a prisão provisória do ex-ministro do governo Lula, sob o argumento de que solto ele poderia voltar a praticar crimes.
Nesta terça, a maioria dos ministros da 2ª Turma entendeu que esse risco já estava reduzido, uma vez que o grupo político de Dirceu não está mais no poder e que os crimes pelos quais ele foi acusado não são recentes. Os advogados de Dirceu têm negado que ele esteja envolvido no esquema de corrupção da Petrobras. (AE)
