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Ministro Guilherme Boulos fala em chantagem do mercado financeiro sobre ajuste fiscal no quarto mandato de Lula

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), diz ver uma chantagem do mercado no debate sobre ajuste fiscal. (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), diz ver uma chantagem do mercado no debate sobre ajuste fiscal no novo governo do presidente Lula (PT) e afirma que os cortes devem mirar privilégios, não o “lombo dos mais pobres”.

A receita para economizar, segundo ele, inclui discutir temas como desonerações fiscais, supersalários e emendas parlamentares impositivas. “Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia”, disse o ministro em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Do fim de 2022, antes do terceiro mandato de Lula, a julho de 2026, a dívida pública passou de 71,7% do PIB (Produto Interno Bruto) para 82,5%.

Sobre a sucessão de Lula, Boulos afirma que o momento não é o de discutir quem será a próxima grande liderança progressista, mas sim o de garantir um “mandato biográfico” para a quarta passagem do petista pelo Palácio do Planalto.

– Apesar da virada histórica, Flávio Bolsonaro (PL) obteve quase 60 milhões de votos. O que a esquerda ainda não compreendeu sobre o eleitor que vota no bolsonarismo? “O fenômeno de crescimento da extrema direita é no mundo inteiro, assim como a tendência ao quase desaparecimento do centro político. (Mas) Destaco o fato de a gente ter conseguido uma margem de 4 milhões de votos, maior que a de Lula contra Jair Bolsonaro (em 2022). E em uma eleição na qual, no primeiro turno, ficamos atrás.”

– Não há nada a se aprender com o fato de Flávio ter recebido tantos votos, mesmo sendo chamado de “o pior dos Bolsonaros”? “O Jair tinha recebido uma quantidade proporcionalmente maior e é uma figura tão nociva quanto. E 24 horas depois de ter recebido 60 milhões de votos, Flávio fugiu como um rato. Não teve coragem de enfrentar suas questões judiciais, mesmo se dizendo inocente. Simplesmente fugiu.”

– Flávio recebeu ajuda para fugir. O sr. vê risco de interferência externa ou até de novos episódios como o 8 de Janeiro? “Houve uma atuação confessa da Meta durante as eleições, com funcionários reconhecendo que prejudicaram Lula e favoreceram Flávio. Não foi apenas uma diretriz empresarial, você teve (Donald) Trump defendendo e apoiando a candidatura de Flávio. O Brasil tem que permanecer atento aos vários riscos de intervenção que marcam a política externa atual dos Estados Unidos.”

– No seu livro sobre o futuro da esquerda, o sr. diz que a vitória só foi possível em 2022 porque era o Lula disputando. O mesmo se aplica a 2026? “O mesmo. Lula é a maior liderança política que esse país produziu. O eleitorado de esquerda é 30% da sociedade. Para conseguir a maioria, precisa do complemento de um eleitorado popular, como o lulista. Esse é um dos desafios do Lula 4: não ficar só na resistência à extrema direita. Em 2022, ganhamos a eleição, mas não a narrativa. Quem produziu a agenda política do país foi a extrema direita. Nós temos a oportunidade de também ganhar a agenda e alimentar a renovação da esquerda até 2030.” As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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