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Ministro Luiz Fux manda Tribunal de Justiça da Bahia manter depósitos judiciais no agonizante Banco de Brasília

Fux, então, rebateu que não havia diálogos de Vorcaro com ele. Dino reagiu, dizendo que "tinha, sim". E a dicussão avançou. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Em mais uma decisão insólita, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux determinou em liminar que o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) renove o contrato para a transferência de depósitos judiciais para o agonizante Banco de Brasília (BRB) por 90 dias, ou seja, até pouco depois das eleições de outubro.

O contrato do TJ-BA com o BRB terminaria no dia 26 passado e, apesar da possibilidade de prorrogá-lo por 12 meses, o tribunal baiano preferiu firmar um acordo emergencial para que a Caixa Econômica Federal (CEF) passasse a gerir novos depósitos judiciais, opção que faz total sentido.

No final de junho, o corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mauro Campbell Marques, solicitou que os Tribunais de Justiça do Distrito Federal, Alagoas, Maranhão e Paraíba, e também o baiano, explicassem por que mantinham cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais no BRB, uma instituição em sério risco de liquidação desde que se associou ao Banco Master.

Era por ganância. Como o BRB oferecia rendimentos maiores sobre os depósitos, tribunais como o do Maranhão valiam-se dessa variação financeira sobre recursos que nem sequer lhes pertenciam – pois são destinados a pagar o vencedor de um processo judicial – para engrossar as verbas à sua disposição.

A esta altura, porém, o risco é de que depósitos judiciais mantidos no BRB fiquem, no mínimo, indisponíveis. Por isso, o TJ-BA buscou o acerto com a CEF.

Eis que o ministro Fux, atendendo a mais um pedido do governo do DF, que é o controlador do BRB, aceitou o argumento de que o encerramento do contrato por parte do TJ-BA comprometeria a liquidez do BRB, “com a interrupção da entrada mensal de R$ 394 milhões em novos depósitos, além de prejudicar as medidas em curso para seu reforço financeiro”.

As medidas em curso têm a ver com um acordo homologado em maio pelo próprio Fux. Nele, o ministro permitiu à gestão distrital buscar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Até agora, porém, o empréstimo não saiu. O FGC reluta em conceder crédito ao BRB, cujo buraco real ninguém conhece exatamente, já que o banco regional está há um ano sem divulgar demonstrações financeiras. E não o faz porque, como confessou sem querer a atual governadora e candidata à reeleição, Celina Leão, “o balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado”.

Como já reiteramos neste espaço diversas vezes, não fosse ano eleitoral, é bem provável que o Banco Central já tivesse adotado uma atitude mais enérgica em relação ao BRB. Em vez disso, porém, o que se vê é o STF desautorizar o TJ-BA porque tentou reduzir os riscos de associação ao banco regional, enquanto o BRB não faz o mínimo, que é divulgar o balanço.

Oxalá a Segunda Turma do STF, que deve analisar entre 4 e 14 de setembro a decisão de Fux sobre os depósitos, derrube a liminar do ministro que impede o TJ-BA de fazer o óbvio: proteger os recursos de terceiros. (Coluna de opinião do portal Estadão).

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