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Ministro que mandou prender juízes evita a fama de herói

A suspeita é de que um empresário tivesse pagado uma conta de Fernandes em troca de decisão favorável.(Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE)

Geraldo Og Fernandes, de 68 anos, um dos 33 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), valoriza andar nas ruas sem ser reconhecido. Essa condição, no entanto, será colocada à prova após ações de grande interesse público e repercussão no meio político que entraram no fluxo cotidiano de seus gabinetes, no STJ e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde acumula a função de corregedor-geral. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Do inquérito de venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia às ações que podem cassar o presidente Jair Bolsonaro e a senadora Juíza Selma (Podemos-MT), passando pela controvérsia sobre a coleta de assinaturas digitais para criar novos partidos, Og estará no centro das atenções.

Em tempos de pressão por uma CPI da Lava Toga, o ministro rejeita a alcunha de caçador de magistrados. Ele afastou seis integrantes do TJ baiano, incluindo o atual presidente, e prendeu também um juiz e a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago. Mas ressalta que, como juiz, só decide de acordo com as informações oferecidas pelo Ministério Público Federal.

“O Brasil não precisa de heróis. Precisa de juízes. Precisa de homens que cumpram o seu dever”, afirmou Og, que aceitou conversar com o Estado com a condição de não falar sobre a investigação sigilosa na Bahia. Um colega de STJ aposta em uma postura mais “linha dura” do ministro no inquérito. O perfil de Og, no entanto, é moderado. É visto entre os pares como “sereno, discreto, de espírito leve, sem ser formal”. “Og é um juiz de carreira, muito respeitado, cordial, correto nos seus posicionamentos”, disse o ministro Luis Felipe Salomão, com quem divide os plenários do STJ e do TSE.

Na principal sentença da Corte Especial do STJ este ano, Og deu um dos oito votos pela condenação do governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), a seis anos e nove meses de reclusão em regime semiaberto por irregularidades envolvendo empréstimos consignados a servidores. Ao longo do processo, o governador negou as acusações. Para a classe política em Brasília, no entanto, a toga mais temida de Og, no momento, é a de ministro do TSE. Na terça-feira ele votou pela cassação da senadora Selma Arruda (Podemos-MT).

 

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