O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, descartou paralisar o Campeonato Brasileiro em virtude do escândalo de manipulação de jogos de futebol por causa de apostas esportivas. Em entrevista à ESPN, o político disse que isso seria premiar os infratores.
“À luz do que existe hoje, creio que é possível e necessário manter o Campeonato Brasileiro até para que os criminosos não vençam. Se você parar tudo, significa que os criminosos conseguiram tumultuar uma atividade que é especial para milhões e milhões de pessoas. Eu próprio gosto muito de futebol, acompanho muito e espero que isso não seja necessário”, afirmou Dino.
“Estamos falando da vida, do lazer, da diversão e de profissionais sérios, na sua imensa maioria, que tem a sua credibilidade abalada. Vamos fazer tudo que for necessário, como prisões e apreensões”, explicou Flávio Dino, ao portal de notícias UOL.
“Sinceramente, não vejo razão para isso (suspender os campeonatos), a não ser que as investigações mostrem comprometimento ainda maior. Sendo casos isolados, você tem que, de fato, separar essas pessoas e impor sanções para que o campeonato possa acontecer”, completou.
Na última quarta-feira, Flávio Dino determinou a intervenção da Polícia Federal no caso que está sendo investigado pelo Ministério Público de Goiás. A Operação Penalidade Máxima iniciada pelo MP-GO listou pelo menos 13 partidas com suspeita de esquema de manipulação.
“’Diante de indícios de manipulação de resultados em competições esportivas, com repercussão interestadual e até internacional, estou determinando hoje que seja instaurado Inquérito na Polícia Federal para as investigações legalmente cabíveis”, escreveu Dino em seu perfil do Twitter.
Vale lembrar que, na última terça-feira (9), a Justiça de Goiás acatou a denúncia feita pelo MP contra os 16 investigados na “Operação Penalidade Máxima 2”.
A regulamentação das apostas esportivas no Brasil, por meio de uma Medida Provisória (MP) que será editada Governo Federal, é vista com bons olhos por dois segmentos importantes do setor: as empresas do ramo e os clubes de futebol. A percepção é que além de desenvolver o mercado no país, o processo auxiliará no enfrentamento a casos de manipulação de resultados.
A Lei 13.756, de 12 de dezembro de 2018, liberou as apostas de quota fixa (as chamadas bets) no país. O prazo para regulamentação era de dois anos, prorrogável por mais dois, mas nada ocorreu. Segundo o assessor especial da Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda, José Francisco Manssur, durante audiência pública realizada em Brasília no último dia 12 de abril, a estimativa é que R$ 6 bilhões deixaram de ser arrecadados, por ano, desde 2018.
“A cada dez placas de publicidade [em uma partida de futebol], enxergamos sete ou oito de empresas de apostas. Essas apostas movimentam alguns bilhões de reais no Brasil, mas o governo, a sociedade, não arrecada um real há praticamente cinco anos, porque não está regulamentado”, disse Manssur.
