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Ministros de Lula e do Supremo criticam decisões da Polícia Federal e de Alexandre de Moraes sobre Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos após derrota nas urnas. (Foto: Charles Vieira/Divulgação)

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, acatando pedido da Polícia Federal (PF), de mandar cancelar os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL) foi criticada por ministros do presidente Lula e do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo eles, PF e Moraes jogaram “gasolina numa fogueira que estava diminuindo de intensidade” e que o ideal seria aguardar alguns dias antes de tomar qualquer medida.

Em relação ao risco de fuga do ex-candidato do PL à Presidência da República, esses ministros avaliam que era melhor deixar que acontecesse, se esse era realmente o plano de Flávio Bolsonaro, para mostrar que ele estava fugindo da Justiça brasileira.

Agora, dizem, o senador poderá levantar o discurso de que é “vítima de uma perseguição política”.

Principalmente porque a decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, principal alvo de bolsonaristas durante as eleições deste ano, resultando na eleição de uma bancada expressiva de senadores e deputados do PL no Congresso Nacional.

“Eu não teria tomado essa decisão. Vão comparar com o caso Lulinha, que saiu do Brasil e está na Espanha. O André Mendonça (relator do inquérito sobre o filho de Lula) não tomou nenhuma medida contra ele, e poderia ter feito algo semelhante”, disse reservadamente um ministro do STF.

Um ministro de Lula se mostrava irritado com a decisão de Alexandre de Moraes, destacando que ele não poderia ter tomado uma decisão dessa minutos depois de anunciado o resultado da eleição, com a vitória do presidente Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro.

“Foi um erro político, o Moraes não poderia ter feito isso neste momento, se ele fugisse, ia ficar desmoralizado. Agora ele vai vestir o figurino de vítima”, afirmou o ministro de Lula.

Flávio Bolsonaro, de fato, deixou o País com a família rumo aos Estados Unidos. Segundo interlocutores, o voo partiu da Argentina, teve breve escala no Equador e seguiu com destino a Miami. A aeronave decolou às 6h22, no horário de Brasília, e seguiu rumo aos EUA, onde chegou ao aeroporto Opa-locka Executive, em Miami, na manhã dessa quarta-feira (28).

Resultado das urnas

Em uma carta divulgada após fugir do Brasil rumo aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro (PL) declarou nessa quarta-feira (28) não reconhecer o resultado das urnas no segundo turno da eleição presidencial, acusou suposta fraude eleitoral e afirmou ser o “verdadeiro presidente do Brasil”, o “presidente eleito”.

Após divulgar a primeira carta, em formato de imagens, em uma rede social, Flávio divulgou uma nova carta, também em imagens, em que substituiu as expressões “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito” por “líder do Brasil” e “líder”.

As alegações, divulgadas sem apresentação de provas, contrariam a postura do PL, partido de Flávio Bolsonaro, e contrastam com a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PL reconheceu o resultado eleitoral, pedindo esclarecimentos da Justiça.

No documento, Flávio agradeceu a líderes internacionais, como o presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que está em território norte-americano com a família e “em segurança”.

O parlamentar atacou o Judiciário e alegou a existência de um “regime de exceção” e “perseguição política” contra a sua família, negando que sua saída represente uma fuga e comparando sua ida ao exterior a episódios de exílio político de figuras históricas.

O senador afirmou que ter ocorrido uma “impossibilidade matemática” na votação e contestou decisões tomadas pela Justiça, especialmente pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a votação.

O ministro determinou a extensão por duas horas do horário de votação após pedidos – da coligação de Lula e da campanha do próprio Flávio Bolsonaro – de prorrogação em virtude de problemas no transporte público de eleitores e condições climáticas adversas.

Após as 17h do último domingo (25), menos de 35 mil votos foram registrados nas urnas até as 19h. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no Brasil foi de 4,4 milhões de votos.

Flávio Bolsonaro, no documento, defendeu a cassação da chapa eleita, de Lula e Geraldo Alckmin, e disse que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos.

“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”, escreveu o senador na primeira versão da carta divulgada.

Na segunda versão postada por Flávio, ele trocou “presidente eleito” por “líder” nesse trecho. As informações são do portal de notícias G1.

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