O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, evitou comentar na última quarta-feira (6), sobre os cerca de 51 milhões de reais que a PF (Polícia Federal) encontrou na terça-feira (5) em um apartamento que seria uma espécie de “bunker” de Geddel Vieira Lima, ex-ministro no governo Michel Temer (PMDB). Para Padilha, o fato não afetará o PMDB, partido ao qual ambos são filiados.
“Temos questões que são pessoais e que não cabem ao partido responder. As questões pessoais ficam para as pessoas responderem”, afirmou o ministro em entrevista, após evento de filiação do senador Fernando Bezerra (PE), que deixou o PSB. Também no evento, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, outro líder do PMDB, não comentou o assunto – ele deixou a entrevista quando questionado sobre o dinheiro encontrado pela PF.
O “bunker”
Na manhã de terça-feira, a PF deflagrou a Operação Tesouro Perdido, uma braço da Operação Cui Bono?, que investigou uma quadrilha que arrecadava propinas provenientes da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013 e que teria, além de Geddel, outros envolvidos ligados ao PMDB, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o doleiro Lúcio Funaro, que seria um operador das propinas pagas ao partido.
Com as provas das fases anteriores da investigação, os policiais chegaram ao apartamento que seria usado por Geddel, em Salvador, e encontrou os 51 milhões de reais.
O dinheiro em espécie estava distribuído em um dos cômodos do apartamento.
O montante encontrado foi a maior apreensão em espécie da História do País. Mesmo usando máquinas para contabilizar as notas, a PF chegou ao valor final após 14 horas de trabalho. O dinheiro será depositado em uma conta judicial até decisão da Justiça.
Digitais
A Polícia Federal encontrou as impressões digitais do ex-ministro Geddel Vieira Lima, no apartamento onde foram encontrados R$ 51 milhões em espécie – distribuídos em malas e caixas.
As impressões digitais reforçam as suspeitas de ligação do ex-ministro com o dinheiro, comprovando que ele esteve no imóvel onde a quantia milionária estava guardada.
Para a PF o apartamento onde foram encontradas impressões digitais de Geddel, no bairro da Graça, em Salvador, era um local de armazenagem de dinheiro em espécie.
De acordo com a PF o dinheiro, que seria utilizado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, foi contabilizado em R$ 42.643.500 e US$ 2.688.000 (R$ 8.387.366,40, segundo a cotação do dia, de US$ 1 dólar = R$ 3,1203). A soma dos valores em dólares e reais é de R$ 51.030.866,40.
Um vídeo divulgado pela polícia mostra a contagem das cédulas. Depois de contado, o valor deve ser encaminhado para uma conta judicial.
Geddel cumpre prisão domiciliar há quase dois meses no apartamento dele, em Salvador, sem monitoramento eletrônico. A Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia não dispõe de tornozeleiras.
Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013, durante o governo de Dilma Rousseff. No governo Temer, foi ministro da Secretaria de Governo.
A prisão de Geddel foi decretada em julho. No pedido à Justiça, o Ministério Público Federal afirmou que Geddel é “um criminoso em série” e que faz dos crimes financeiros e contra a administração pública “sua própria carreira profissional”. (Veja/AG)
