Dez ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) redigiram nota pública para criticar a atitude do juiz Glaucenir Oliveira, de Campos dos Goytacazes (RJ), que insinuou nas redes sociais que Gilmar Mendes recebeu dinheiro para dar um habeas corpus a Anthony Garotinho.
“Tal episódio receberá o exame devido pelos órgãos competentes, mas representa perigoso precedente contra toda a magistratura e todos os fundamentos do Estado democrático de Direito”, diz o texto.
Data venia
“Não se permite que, sem nenhuma prova, por ouvir dizer nas ruas, um juiz possa desqualificar outro apenas porque decidiu um caso de maneira contrária ao que examinou a questão anteriormente”, assinalam os ministros. Eles classificam o ataque de Glaucenir como “leviano e irresponsável”.
Áudio
Um áudio atribuído ao juiz Glaucenir Oliveira, autor da primeira prisão do ex-governador Anthony Garotinho postado num grupo de juízes num grupo de WhatsApp diz que “segundo comentários sérios que ouvi hoje, de gente de lá de dentro (do grupo de Garotinho) é que a quantia foi alta” na decisão de Gilmar Mendes de soltar o ex-governador, sugerindo que a decisão foi comprada.
“Vocês entendem o que estou falando” diz a seu grupo.
Na gravação, a voz que seria de Glaucenir diz que conversou por telefone com o juiz que assumiu o caso, depois de sua saída da 100ª Vara Eleitoral, de Campos, e este teria dito que vai se declarar impedido no caso, “porque não quer dar a cara a tapa, porque não quer fazer trabalho de palhaço”.
E sugeriu-lhe que o faça por um ofício a Gilmar deixando claro que não tem como continuar no processo: “vai entender a sujeirada que Gilmar Mendes está fazendo”:
“Isso é um absurdo, entendeu? O Gilmar não tem mesmo vergonha na cara, infelizmente. Não adianta fazer campanha contra ele, porque ele sorri, ele é sarcástico. É desanimador, é uma desilusão, porque a gente trabalha sério, a gente é na verdade um soldado na linha de frente, a gente leva pedrada, leva tiro, enquanto o grande general do Poder Judiciário – que ele agora parece que é o dono do poder – mela o trabalho sério que a gente faz, com sarcasmo, com falta de vergonha. E, segundo os comentários que eu ouvi hoje – comentário sério, de gente lá de dentro – é que a mala foi grande”
Já o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes pediu para que o Corregedor Nacional de Justiça, ministro João Otávio Noronha, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, tomem providências para investigar áudio.
Em 2011, o juiz Glaucenir dirigia sem cinto e viu que estava sendo multado por uma guarda municipal. Deu ré, carteirou-a e insultou-a. Quando ela disse que o levaria à delegacia, o magistrado informou: “Quem vai te conduzir sou eu”. Se ele não pagou a multa, a conta ficou para Gilmar Mendes. Ninguém se preocupa quando uma guarda municipal leva uma pedrada.
