Trocando apertos de mãos com jovens usando lenços vermelhos da Liga da Juventude Comunista, candidatas de mais de 110 países desembarcaram na última semana na ilha de Hainan (China) para o 65 concurso anual para a escolha da Miss Mundo. Mas uma candidata estava faltando: a Miss Canadá, Anastasia Lin, atriz e pianista de 25 anos a quem foi negado um visto chinês para tomar parte no concurso, presume-se que devido à sua militância em favor dos direitos humanos e da liberdade religiosa na China.
Emigrada chinesa que se radicou no Canadá, ela é seguidora do Falun Gong, movimento espiritual de inspiração budista que a China classificou como “seita perversa”. Apesar de ameaças feitas a familiares seus, ela se negou a recuar de sua plataforma oficial no concurso – a crítica das violações dos direitos humanos cometidas em seu país de origem.
Seu choque com o governo chinês vem lhe angariando atenção favorável da mídia e multidões de apoiadores em todo o mundo. “Se eu não erguer a voz em defesa do que é certo, isso transmitirá uma mensagem muito negativa para aqueles que são alvos da intimidação da China e não têm condições de resistir”, disse Anastasia.
(The New York Times)
