Servidores do Senado Federal realizam uma reunião, ao fim da tarde desta segunda-feira (9), para definir as prioridades no longo e custoso processo de recuperação dos itens danificados por atos terroristas, em Brasília, no último domingo (8). A primeira certeza, entre a equipe, é que “tão cedo o prejuízo não será resolvido”, como avalia Maria Cristina Monteiro, coordenadora responsável pelo acervo museológico do Senado.
“Levaremos alguns anos para conseguir restaurar todas as peças”, afirma a museóloga. “São muitas coisas para recuperar. Em 2023, a gente só começa o trabalho. As prioridades devem ser os quadros dos presidentes, pois muitas obras de arte exigem compra de material específico (para o restauro).”
Um desses itens é uma tapeçaria com assinatura do artista plástico e paisagista Burle Marx. Na manhã desta segunda-feira (9), peritos encontraram a peça rasgada, amassada e molhada com urina no canto de uma das salas. “Arrancaram a peça da parede, embolaram e molharam. Está tudo realmente bem fedido”, relata Maria Cristina. Especialistas em restauro precisarão refazer parte da peça, com base em pesquisa.
Há objetos que foram totalmente destruídos – e que não poderão ser recuperados. Dois móveis em madeira datados da primeira metade do século XIX, e que ficavam na entrada da sala da presidência do Senado, foram encontrados “em migalhas”, como lamenta a museóloga. As mesas pertenciam ao extinto Palácio Conde dos Arcos, onde funcionou a primeira sede do Senado, no Rio de Janeiro, e onde hoje está a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na manhã desta segunda, peritos catavam pequenos fragmentos desse antigo mobiliário do chão. Os especialistas chegaram à conclusão, no entanto, de que será impossível restaurar o mobiliário de valor histórico, do período do Império, que também passou pelo antigo Palácio Monroe, no Rio.
“São móveis muito antigos, e que não possuem modelo hoje. Por isso, não conseguimos recuperá-los. Eles foram muito danificados. Foram realmente despedaçados” diz a museóloga. “Arrancaram as gavetas, as partes internas… Esses foram os objetos mais danificados.”
Outra peça que precisará passar por um processo de restauração é um painel vermelho do artista plástico Athos Bulcão. A obra, que decora o Salão Nobre da instituição, sofreu arranhões devido a estilhaços de vidro. A recuperação será cara: 20 miligramas da tinta específica para corrigir apenas um arranhão custa cerca de R$ 800. As informações são do jornal O Globo.
