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Modelo no controle da pandemia, o Uruguai enfrenta aumento de casos de coronavírus e suspende a obrigação de ensino presencial

O governo de Lacalle Pou (foto) espera alívio do sistema de saúde com vacinação. (Foto: Reprodução/Twitter)

O Uruguai suspendeu a obrigatoriedade do ensino presencial em todos os níveis escolares, devido à escalada dos casos de coronavírus. O país, que chegou a ser considerado um exemplo na região no início da pandemia, se encontra agora na etapa de “transmissão comunitária intensa e sustentada do vírus”, com uma média semanal de 1.200 casos diários, informou o grupo de cientistas que assessora o governo.

Ao fazer o anúncio sobre as escolas, o presidente Luis Lacalle Pou detalhou outras medidas para conter a propagação da doença. “Fica suspensa a obrigatoriedade de presença em todo o sistema educacional do país — disse Lacalle Pou, após uma reunião do ministério para analisar a piora da crise de saúde”, diz.

O presidente esclareceu que não foi decretado o fechamento das escolas, uma vez que, em centros de ensino, a porcentagem de contágios foi de 2,5%. Lacalle Pou citou outras medidas, como a redução da capacidade de meios de transporte, a suspensão dos esportes amadores e o fechamento de vestiários em clubes e academias.

Estratégia única

O país adotou um esquema de vacinação único, sem começar com a população idosa como outros países. Segundo especialistas locais, as primeiras vacinas que o país recebeu, do laboratório chinês Sinovac, careciam de ensaios clínicos suficientes em pessoas com mais de 60 anos. Por isso, foram priorizados, num primeiro momento, professores, militares, bombeiros e policiais, entre outros trabalhadores não essenciais.

O Uruguai aplicou ainda uma estratégia única de controle da pandemia, sem confinamentos obrigatórios. Com taxas controladas, até o fim do ano passado, Lacalle Pou defendia o caminho da “liberdade responsável” por parte da população: a economia nunca parou totalmente e não foram implementadas quarentenas. Os maiores esforços foram dedicados a rastrear casos de contágio, o que foi facilitado pelo bom funcionamento do sistema público de saúde.

Mas, após passar a maior parte de 2020 sendo considerado um país modelo na América Latina por seu controle bem-sucedido da pandemia, o país experimenta desde novembro um forte crescimento do número de casos. No último mês, bateu recordes de infecções diárias e pessoas internadas.

Na sexta (19), o presidente da Sociedade Uruguaia de Medicina Intensiva, Julio Pontet, declarou à Agência Efe que, dados os números recentes, nos próximos oito a dez dias, haverá ainda mais pacientes admitidos em terapia intensiva.

Até agora, o departamento mais afetado do país continua sendo Montevidéu, com 5.643 caos ativos, seguido por Canelones, com 1.379. Os dois estão na zona vermelha de risco da pandemia do índice de Harvard, acumulando uma média de mais de 25 casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias.

De acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Saúde Pública, 33.074 pessoas foram vacinadas na sexta, e desde o começo da campanha no país 296.940 pessoas foram inoculadas com a primeira dose.

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