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Morre o chefe da agência de espionagem russa acusado de envenenamento no Reino Unido

Em Moscou, ministro da Defesa russo Sergei Shoigu ao lado de Igor Korobov (D), chefe de agência de inteligência. (Foto: Reprodução)

O comandante do GRU (Departamento Central de Inteligência) da Rússia, general Igor Korobov, faleceu aos 62 anos após uma “longa e grave doença”, anunciou nesta quinta-feira (22) o Ministério da Defesa do país. O russo liderava a agência do Estado-Maior das Forças Armadas desde 2016, mas ganhou notoriedade sobretudo pela acusação de envolvimento em ciberataques e no envenenamento de um ex-espião duplo e sua filha no Reino Unido, em março.

Fundado em 1918, o GRU, considerado um rival da KGB durante a era soviética, tem fama de ser a agência de espionagem russa mais poderosa e ousada, embora seja relativamente desconhecida do público. O governo britânico acusou o departamento pelo envenenamento de Sergei Skripal e Yulia Skripal, contaminados com um agente da classe Novichok na cidade britânica de Salisbury.

A Holanda acusa o GRU de tentar hackear a agência que monitora armas químicas pelo mundo, e a inteligência dos Estados Unidos atribui ao departamento russo a tentativa de hackear as eleições presidenciais de 2016. Washington incluiu o nome de Korobov na lista de sanções em março de pessoas suspeitas de “minar a segurança cibernética a mando do governo russo”. A Rússia nega todas as alegações.

Segundo a agência estatal Tass, que cita o ministério de Defesa russo, Korobov foi declarado herói da Rússia pelos anos de serviço no cargo – a maior láurea concedida pelo Estado. O sucessor dele não foi designado, segundo as agências russas. Seu antecessor, Igor Sergun, faleceu em janeiro de 2016.

A especulação sobre o destino de Korobov cresceu desde o relato da mídia russa – não confirmado pela mídia estrangeira – de que o chefe da agência havia sido convocado pelo presidente russo, Vladimir Putin, depois do caso Skripal. Korobov teria sido criticado pela operação que deixou pai e filha vivos. Os dois passaram semanas no hospital para tratar o envenenamento. Neste mês, ele não esteve presente na cerimônia em que o líder do Kremlin e outros oficiais celebraram o centenário da GRU, cujos integrantes foram elogiados “habilidades únicas”.

Para Putin, que é ex-oficial de inteligência do país, os agentes da GRU dão o exemplo para as futuras gerações de espiões militares.

A morte de Korobov abre caminho para o presidente russo nomear um sucessor para a agência, que, segundo especialistas, intensificou suas ações secretas diante da escalada de tensões entre a Rússia e os países ocidentais.

Questionado no mês passado se o caso Skripal motivaria um balanço do ministério da Defesa, o Kremlin destacou que as alegações contra a GRU – consideradas de baixa qualidade – não justificavam mudanças do tipo.

Korobov era um veterano militar soviético, que serviu na Força Aérea do país. De acordo com a sua biografia oficial, ele começou a trabalhar no GRU em 1985. Criado após a revolução bolchevique, a agência integra a tríade da inteligência russa, ao lado do Serviço Federal de Segurança e do Serviço de Inteligência Estrangeiro SVR.

 

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