Atingido por três tiros durante cumprimento de ordem judicial de busca e apreensão em um apartamento de Passo Fundo (Norte gaúcho), o delegado da Polícia Federal (PF) Michel Brasil Saliba morreu na madrugada dessa sexta-feira (3). O autor dos disparos é um brigadiano licenciado e que estava na residência – pertencente à sua companheira – quando os agentes arrombaram a porta, na manhã anterior.
Michel permanecia internado em estado gravíssimo no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), após passar por cirurgia de emergência. Natural de Bagé (Fronteira-Oeste), ele tinha 42 anos e deixa esposa, um filho de 3 e outro de 5 anos. Desde o final de abril, chefiava em Chuí (Sul do Estado) a unidade da corporação, onde havia ingressado em setembro de 2023.
Após velório na Câmara de Vereadores de Bagé, o corpo será sepultado às 10h30min no cemitério do município. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, anunciou luto oficial de três dias na corporação e estará presente na cerimônia de despedida.
Investigação
O incidente é investigado pela PF e pela Corregedoria da Brigada Militar (BM). Pelo que se sabe até o momento, na manhã de quinta-feira agentes federais foram recebidos a tiros ao ingressar em um apartamento na rua José Bonifácio (Vila Rodrigues). A dona do imóvel está entre os investigados por envolvimento em esquema de contrabando de mercadorias provenientes de Miami (EUA).
Autor dos disparos, o companheiro da dona da residência é um brigadiano licenciado recentemente para tratar de assuntos particulares. Ele foi preso em flagrante e atribuiu a reação armada a um ato instintivo – com pistola registrada legalmente em seu nome – ao fato de não ter identificado que os “invasores” eram da Polícia Federal. Também argumentou ter acionado socorro à vítima após perceber o equívoco.
O delegado utilizava colete balístico, mas os projéteis perfuraram áreas de seu tronco desprotegidas. Um escrivão da PF que acompanhava a ofensiva foi atingido de raspão no equipamento e foi liberado após ser atendido no mesmo hospital que o colega.
Manifestação da PF
Ainda na quinta-feira, a Polícia Federal e a Brigada Militar se manifestaram de forma oficial a respeito do incidente. Confira, a seguir, o conteúdo parcial dos comunicados.
– PF: “(…) A Polícia Federal deflagrou nessa quinta-feira (2) a Operação ‘EZQ 25:17’, com o objetivo de desarticular um sistema financeiro paralelo utilizado para sustentar um esquema de contrabando de mercadorias provenientes de Miami, nos Estados Unidos. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidas 56 ordens de sequestro de imóveis e determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias de 38 pessoas físicas e jurídicas investigadas.
Os valores bloqueados podem alcançar R$ 28 milhões. As medidas foram autorizadas pela 11ª Vara Federal de Porto Alegre. As investigações apontam a atuação de uma organização criminosa que teria origem em Santana do Livramento [Fronteira-Oeste] e seria responsável por coordenar a entrada irregular de mercadorias no Brasil por meio da fronteira com o Uruguai. Parte do grupo atuava em Miami, de onde partiam os produtos.
Durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão no município de Passo Fundo, dois policiais federais foram atingidos por disparos efetuados por terceiro, vinculado a uma das pessoas investigadas. Os servidores foram imediatamente socorridos e encaminhados a unidade hospitalar. Um deles foi liberado e o outro permanece sob cuidados médicos. O responsável pelos disparos foi preso em flagrante”.
– BM: “(…) Conforme informações preliminares, o policial militar, que se encontrava em licença para tratar de interesses particulares, teria efetuado disparos de arma de fogo contra um policial federal durante o cumprimento de mandado judicial em desfavor de sua esposa.
A ocorrência prossegue e é apurada pela Polícia Federal. O militar estadual foi preso em flagrante e a Corregedoria-Geral da Brigada Militar acompanha o caso. A BM reafirma seu compromisso com a preservação da vida, a manutenção da ordem pública e a atuação dentro da legalidade, em defesa da sociedade”.
(Marcello Campos)
