Marcado por muita emoção, o casamento entre Fernanda Mazzeto e Willian Nague comoveu a cidade de Salto, em São Paulo. Fernanda se casou neste mês no hospital São Camilo, após ser internada por conta de um câncer. Dez dias após a cerimônia, ela morreu por complicações no quadro clínico e acabou não vendo as fotos da cerimônia, que era um dos seus grandes sonhos, como conta o fotógrafo Marcelo Motozono. Fernanda foi internada em 16 de novembro, quando foi diagnosticada com carcinoma epidermóide. Desde então, ela ficou internada na ala semintensiva do hospital até morrer quase um mês depois, em 14 de dezembro. Dez dias antes de falecer ela realizou o sonho de se casar, oficializando uma união que já durava quase 25 anos.
Casal estava junto há quase 25 anos. Crédito: Reprodução
Cerimônia às pressas.
De acordo com o fotógrafo, a cerimônia foi feita de um dia para o outro. Segundo Motozono, o casamento – primeiro a ser realizado no hospital da cidade – movimentou os funcionários e emocionou os moradores. Fernanda era bastante conhecida em Salto. “Estava no estúdio quando me ligaram perguntando se em 30 minutos poderia fazer a cobertura da cerimônia. O hospital se mobilizou porque não se faz casamento dentro da capela. Muita gente ajudou doando vestidos, buquê, maquiagem e até a moça que cantou durante o casamento, porque todos ficaram comovidos com a história do casal”, observou Motozono.
Evento “inesquecível”.
O fotógrafo classificou a participação do casamento como “inesquecível”. “Foi diferente de tudo que já fiz porque eu sempre conheço a noiva, mas, desta vez, não. Entrei no quarto e a cena foi muito forte ao ver a noiva com [tubo de] oxigênio”, lembrou. A cerimônia lotou a pequena capela da unidade de saúde. Pelas imagens é possível ver a emoção no rosto dos participantes. “Parou o hospital e todo mundo chorou. Era um choro de alegria pelo casamento e também da dor da despedida, do velório. Foi de arrepiar.”
As fotos foram publicadas no Facebook um dia após a morte de Fernanda e tiveram grande repercussão. “Infelizmente ela não chegou a ver as fotos. Na hora que sentei no computador para gravar a mídia, vi no Facebook que ela tinha falecido. Publiquei como uma homenagem. A história é muito bonita porque despertou nas pessoas aquilo que elas têm perdido com o tempo, que é acreditar no poder do amor”, descreveu Motozono.
