Uma ex-assistente executiva do governador de Nova York, Andrew Cuomo, que o acusa de ter a assediado tocando seus seios, falou publicamente pela primeira vez, explicando sua decisão de apresentar queixa criminal contra ele. “O governador precisa ser responsabilizado”, disse Brittany Commisso em trecho de entrevista à rede CBS e ao Times Union, divulgado no domingo. “O que ele fez comigo foi um crime, ele infringiu a lei”, acrescenta.
Commisso é uma das 11 mulheres mencionadas em um relatório da Procuradoria-Geral do Estado de Nova York divulgado na semana passada. O documento alega que Cuomo as assediou sexualmente e violou as leis estaduais e federais.
Até agora, Commisso havia permanecido anônima, sendo mencionada apenas como “Assistente Executiva nº 1” no relatório.
Entre outras situações de assédio, a ex-assistente acusa Cuomo de ter tocado seus seios em novembro de 2020. Ela apresentou uma queixa criminal ao Departamento de Polícia do condado, disse a força de segurança na sexta-feira.
Em 25 minutos de trechos da entrevista à CBS, a mulher relata como o governador passou de “abraços de despedida” para “abraços cada vez mais apertados com beijos na bochecha”.
Depois, em uma ocasião, “girou rapidamente a cabeça para me beijar na boca”, contou.
Brittany Commisso também lembrou dois incidentes mencionados no relatório, o primeiro quando o governador a agarrou no traseiro quando tiravam uma selfie. O segundo foi em novembro de 2020, em sua residência oficial, quando ele passou a mão por baixo de sua blusa para tocar seus seios.
Na terça-feira passada, o governador negou as acusações. “Quero que saibam diretamente por mim que nunca toquei ninguém de uma forma inadequada nem fiz insinuações sexuais inadequadas”, afirmou em um discurso televisionado.
Cuomo, do Partido Democrata, vem resistindo aos diversos pedidos para que renuncie, incluindo do presidente Joe Biden e da presidente da Câmara, a também democrata Nancy Pelosi. Ele enfrenta um processo de impeachment na Assembleia estadual, na qual a bancada democrata, majoritária, afirmou ter perdido a confiança em sua capacidade de governar.
O relatório da Procuradoria também concluiu que Cuomo e seus funcionários retaliaram pelo menos contra uma mulher que reclamou do governador por ter vazado seus registros confidenciais trabalhistas para a imprensa. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, disse que o governador havia violado leis federais e estaduais que proíbem o assédio sexual no trabalho, mas que a investigação supervisionada por ela era na alçada civil e que não entraria com um processo criminal.
Desde a publicação do relatório, Cuomo realiza consultas privadas com seus conselheiros e admitiu que é “carinhoso” com as pessoas, mas nega ter cometido assédio. Sua equipe informou que entrou em contato com a polícia de Albany em março, quando surgiram as alegações da ex-assistente.
“Como dissemos anteriormente, de forma proativa fizemos um acompanhamento há quase quatro meses, de acordo com as políticas estaduais”, disse o porta-voz de Cuomo, Richard Azzopardi, em um comunicado.
Azzopardi também se referiu a uma “declaração de posição” divulgada por um advogado particular na terça-feira como uma refutação às descobertas dos investigadores, que dizia que Cuomo nunca tocou os seios da mulher e que incluía várias fotos de Cuomo beijando e abraçando figuras importantes da política dos EUA, em uma tentativa de mostrar que esse era seu comportamento normal. As informações são do jornal O Globo e do portal de notícias G1.
