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Mulheres: libertem-se dos contos de fadas!

Em histórias como “Cinderela”, “Branca de Neve” e “A Bela Adormecida”, a mensagem central é da impotência da mulher. Crédito: Reprodução

Vivien, uma fotógrafa de 35 anos, conta que era censurada por sua irmã mais velha, que acusava de ter “uma alma masculina”. Ainda jovem, não entendia o que isso significava e sofria muito sentindo-se inadequada.
“Minha irmã sempre sonhou com o príncipe encantado. A cada namorado que arranjava, mostrava-se dependente e submissa, só pensando em agradá-lo. Até hoje é assim, com o marido. Eu nunca desejei isso pra minha vida. Sempre quis ser eu mesma e por isso sempre fui atacada”, conta.

Será que pais e professores já se deram conta das mensagens que passam, sublinarmente, para as crianças através de contos de fadas? Em “Cinderela”, “Branca de Neve” e “A Bela Adormecida”, a mensagem central é da impotência da mulher. O homem, ao contrário, é poderoso. Não só dirige todo o reino, como também tem o poder mágico de despertar a heroína do sono profundo com um simples beijo.
Além da incompetência de lutar por si própria, comum às principais heroínas, Cinderela é enaltecida por ser explorada dia e noite, trabalhando sem reclamar e sem se rebelar contra as injustiças. Padece e chora em silêncio.
Seu comportamento sofrido, parte do treinamento para se tornar a esposa ideal, é recompensado.
Seu pé cabe direitinho no sapato e ela se casa com o príncipe.
No entanto, o mais grave nos contos de fadas é a ideia de que as mulheres só podem ser salvas da miséria ou melhorar de vida por meio da relação com um homem. As meninas vão aprendendo, então, a ter fantasias de salvamento, em vez de desenvolver suas próprias capacidades e talentos.

A historiadora americana Riane Eisler afirma que essas histórias incutem nas mentes das meninas um roteiro feminino no qual lhes ensinam a ver seus corpos como bens de comércio para segurança, felicidade – e, se conseguirem pegar não um sujeito comum, mas um príncipe –, status e riqueza.
Ela diz que em última análise a mensagem dos “inocentes” contos de fadas, como Cinderela, é que não somente as prostitutas, mas todas as mulheres devem negociar seu corpo com homens de muitos recursos.

Em vez de desenvolver suas próprias potencialidades e buscar relações onde haja uma troca afetivo-sexual, em nível de igualdade com o parceiro, muitas mulheres se limitam a continuar fazendo tudo para encontrar o príncipe encantado. (Regina Navarro Lins/AD)

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