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Preços em alta: inflação brasileira piora pela 12ª semana seguida e se afasta ainda mais da meta, mostra Focus

Para 2027, a expectativa de inflação também apresentou leve alta, passando de 4,01% para 4,02%. (Foto: Divulgação)

Os economistas do mercado financeiro voltaram a elevar a estimativa para a inflação brasileira em 2026, marcando a 12ª semana consecutiva de revisão para cima. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,04% para 5,09%.

A nova estimativa reforça a percepção de que o cenário inflacionário segue desafiador para os próximos anos. Entre os fatores que têm pressionado as expectativas está a escalada das tensões no Oriente Médio, que provocou uma forte alta nos preços internacionais do petróleo. O movimento aumenta o risco de reajustes nos combustíveis e pode gerar impactos em toda a cadeia produtiva, pressionando os preços de bens e serviços no Brasil.

Para 2027, a expectativa de inflação também apresentou leve alta, passando de 4,01% para 4,02%. Apesar da mudança ser pequena, o indicador continua acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central.

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, o objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é manter a inflação em 3% ao ano. A meta é considerada cumprida caso o índice permaneça dentro do intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

As projeções acima do teto da meta reforçam as expectativas de manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo. Nesse contexto, o mercado manteve inalterada a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2026, em 13,25% ao ano. Para 2027, a estimativa também permaneceu estável em 11,25% ao ano.

Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano, nível considerado elevado e utilizado pelo Banco Central para conter a inflação por meio da redução do consumo e do crédito. A expectativa de juros altos por um período prolongado reflete a cautela dos analistas diante das incertezas do cenário internacional e das pressões sobre os preços domésticos.

No mercado de câmbio, houve uma leve melhora nas projeções. A estimativa para a cotação do dólar no fim de 2026 recuou de R$ 5,17 para R$ 5,16. Para o encerramento de 2027, a expectativa caiu de R$ 5,26 para R$ 5,25 por dólar. A redução sugere uma percepção mais favorável em relação ao fluxo de capitais e ao desempenho da economia brasileira nos próximos anos.

Em relação ao crescimento econômico, os analistas elevaram marginalmente a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, de 1,89% para 1,90%. Para 2027, a expectativa foi mantida em 1,70%.

Embora a revisão seja modesta, ela indica que o mercado continua prevendo expansão da atividade econômica, ainda que em ritmo moderado. O cenário projetado combina crescimento limitado, juros elevados e inflação persistente acima da meta, fatores que devem continuar influenciando as decisões de política econômica e as expectativas dos investidores nos próximos meses.

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