Com quedas que chegam a 64% no número de passageiros em relação a 2019,
segundo a Anac (Agência Nacional da Aviação Civil), as companhias aéreas têm transformado o espaço interno de seus aviões para acomodar cargas. A medida tem sido usada como forma de reduzir perdas, já que a demanda por encomendas se mantém mais alta que a de viajantes.
A Azul, por exemplo, vai adaptar quatro aviões para a função de cargueiro, com a retirada de poltronas. A Latam vai expandir a frota convertida para dez aeronaves em três anos.
Relatório
A Anac divulgou o Relatório de Gestão e Atividades 2020, com as principais realizações e os maiores desafios enfrentados pela instituição e pela aviação civil ao longo do ano passado. Entre outras informações, o documento apresenta dados no âmbito da regulamentação, certificação e outorga, fiscalização e relações institucionais.
O relatório trata, além dos resultados na aviação civil, de um balanço da gestão interna da Anac, no âmbito da gestão financeira e orçamentária, patrimonial, gestão de pessoas e tecnologia da informação, entre outros.
No levantamento, a Anac destaca que, “inevitavelmente, a oferta e a demanda por voos caíram” por conta dos efeitos da covid-19 no setor.
O transporte aéreo, em 2020, teve queda no número de passageiros transportados superior a 55%, fato que, segundo o documento, “não encontra precedentes na história da aviação civil brasileira”. No entanto, apesar da queda brusca nas médias de voos diários (tanto nacionais quanto internacionais) e no número de localidades atendidas, foi possível observar uma retomada gradual no segundo semestre.
A Tarifa Aérea Média Doméstica Real (valor médio pago pelo passageiro em um trecho de viagem) em 2020 foi de R$ 376,29, uma redução de 14,46% em relação a 2019. O Yield Tarifa Aérea Médio Doméstico Real (valor médio pago por quilômetro voado) foi de R$ 0,2860, uma redução de 23,6% na comparação com o ano anterior.
Demanda
A demanda por transporte aéreo doméstico no Brasil apresentou alta de 462,5% no último mês de abril, em comparação com o mesmo período de 2020.
A alta reflete a baixa demanda registrada durante abril 2020, quando foram transportados apenas 399,5 mil passageiros, em um período que a aviação brasileira funcionou com apenas voos essenciais e operações pontuais.
Em 2021, com a melhora na confiança e retomada da atividade econômica foram 2,6 milhões transportados. A taxa de ocupação das aeronaves ficou em 77,6%, aumento de 12,2 pontos percentuais.
Da mesma forma a oferta no mercado doméstico, calculada em assentos quilômetros ofertados (ASK), cresceu 374,6%, no mesmo comparativo. Já o total de passageiros pagos cresceu 561,1% em abril deste ano, ante uma queda de 94,6% no ano passado, quando comparado com 2019.
Um dos piores cenários continua sendo o transporte de passageiros internacionais, onde mesmo com crescimento de 282% em abril (RPK), em relação ao mesmo mês de 2019, aproveitamento dos aviões foi de apenas 28,5%, uma queda de 7,2 pontos percentuais.
Ao todo, foram transportados 161,9 mil passageiros, o que representou uma alta de 308%. A comparação com março de 2021 mostra que houve retração de 7,5% para a demanda e crescimento de 0,8% para a oferta.
