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Na Cúpula da Amazônia, o cacique Raoni não consegue falar com Lula e é recebido por ministros

Cacique deve pleitear medidas concretas do governo em relação à demarcação de terras indígenas e ao combate ao garimpo ilegal. (Foto: Audiovisual/PR)

O cacique Raoni, uma das principais lideranças indígenas do Brasil, não conseguiu falar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Cúpula da Amazônia nessa terça-feira (8).

Raoni disse que terá que “puxar a orelha” do presidente Lula na próxima vez que encontrá-lo, já que este é o segundo encontro frustrado dos dois.

O indígena Caiapó não foi recebido por Lula, que participava de reunião fechada com os presidentes e representantes dos oito países amazônicos, mas foi recebido por uma comitiva de ministros na copa do “Hangar Centro de Convenções & Feiras da Amazônia”.

Estavam presentes as ministras Marina Silva (Meio Ambiente), Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Nísia Trindade (Saúde) e o ministro Márcio Macedo (Secretaria-Geral).

O sobrinho-neto de Raoni, Patxon Okreãjti, que acompanhava o cacique, disse que esperavam ter sido convidados para a Cúpula. “À princípio, o cacique não estava na programação dessa cúpula, o que a gente também não entendeu bem”, disse. “O presidente Macron [da França] disse que se encontraria com Lula e o cacique Raoni na Cúpula.”

Okreãjti disse que Raoni foi informado da reunião de Lula com os presidentes dos países amazônicos e que pediu para ir ao encontro. “Lula ficou sabendo que o cacique queria entrar, falou: ‘aguarde, pede para ele almoçar, eu vou falar com o cacique depois reservado'”, disse. “Acredito que ele iria encontrar o cacique Raoni, mas o cacique precisava retornar com voo marcado”.

Macedo afirmou que Lula não pode receber Raoni e os indígenas caiapós por estar em uma reunião bilateral com o presidente da Bolívia, Luis Arce, e na sequência receberia Gustavo Petro, presidente da Colômbia. “Nós não podemos fazer isso não, mas ele, que Lula gosta muito dele, pode puxar a orelha de Lula que Lula vai deixar”, disse Macedo.

Raoni estava nessa terça em Belém, no Pará, onde acontece a Cúpula e foi ao evento para conversar com Lula. O grupo disse que foi informado de que poderia ser recebido pelo presidente depois do almoço. Em entrevista à BBC News Brasil já em Belém, Raoni disse que pediria para o presidente não explorar petróleo na Amazônia.

Este é o segundo encontro frustrado entre Raoni e Lula. O presidente era esperado pelo indígena em São José do Xingu, no Mato Grosso, em 28 de julho, mas não pode ir por conta de dores no quadril e foi representado pela ministra Sonia Guajajara.

Divergência 

A questão do petróleo se tornou o principal assunto desta Cúpula. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, criticou durante a plenária de presidentes que o assunto dos combustíveis fósseis não seja tratado com a devida atenção pela política, da mesma forma como é pela sociedade civil e pela academia.

O governo brasileiro está dividido sobre a questão da exploração de petróleo no bioma. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defende que a Petrobras possa fazer pesquisas para avaliar a viabilidade de petróleo na foz do Amazonas.

Por outro lado, a ala ambiental, puxada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pede cautela e decisões baseadas em dados científicos para a tomada de decisões.

Raoni pediu forças aos ministros para que possam combater o garimpo em terras indígenas e cobrou pró-atividade. “Seja forte”, disse o indígena para a ministra Marina Silva.

Marina informou ao grupo de indígenas que o governo federal está buscando recompor as equipes de fiscalização e atenção à saúde indígena através de concursos.

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