Em discurso para bispos americanos em Washington (EUA), o papa Francisco pediu que crimes de pedofilia não se repitam mais na Igreja Católica. O pronunciamento foi feito na Catedral de São Mateus Apóstolo, pouco depois da visita do pontífice ao presidente Barack Obama. “Sei o quanto pesou sobre vocês a ferida dos últimos anos e acompanhei o seu generoso empenho para curar as vítimas e trabalhar para que tais crimes não aconteçam nunca mais”, declarou o papa.
Francisco ainda elogiou a “coragem” com a qual os bispos dos Estados Unidos enfrentaram “momentos obscuros do seu percurso eclesiástico, sem temer autocríticas nem economizar humilhações e sacrifícios”.
O discurso foi acompanhado por 400 religiosos, que também escutaram do papa um pedido para não usarem a cruz como um “estandarte de lutas mundanas” e para escaparem da “tentação do narcisismo”. “Ao bispo é necessária a lúcida percepção da batalha entre a luz e as trevas. O mundo já está tão dividido. Por isso, a Igreja não pode se deixar fracionar”, afirmou. Nos últimos anos, os Estados Unidos registraram diversos casos de pedofilia envolvendo padres e bispos católicos.
Em abril, por exemplo, Robert W. Finn, então chefe da Diocese de Kansas, foi o primeiro bispo americano a renunciar por encobrir informações sobre um caso de abuso sexual por parte do sacerdote Shawn Ratigan.
Congresso.
No seu terceiro dia em solo americano, Francisco realizou o primeiro discurso de um papa no Congresso americano. Ele pediu o fim da “mentalidade de hostilidade” contra os imigrantes, falou sobre o fundamentalismo religioso, a necessidade de proteger as pessoas mais vulneráveis, e a luta pela igualdade na sociedade.
O pontífice também voltou a tocar no tema da mudança climática, algo que divide republicanos e democratas nos EUA. Para ele, o Congresso dos EUA tem um importante papel a cumprir na luta contra os danos ambientais causados pela atividade humana, e pediu “ações valentes” neste sentido. “Estou convencido de que podemos fazer a diferença e não tenho nenhuma dúvida de que os EUA e este Congresso devem ter um papel importante.”
Em outro assunto polêmico, o papa pediu a abolição global da pena de morte. “Estou convencido de que este é o melhor modo, já que toda vida é sagrada”, disse. Em referência ao aborto e à eutanásia, ele afirmou que a humanidade deve “proteger e defender a vida humana em todos os estágios de seu desenvolvimento”.
O papa tocou novamente no tema dos imigrantes, lembrando que ele é filho de imigrantes, assim como alguns dos presentes no Congresso. “Não devemos repetir os pecados e os erros do passado. Devemos resolver viver agora de maneira tão nobre e justa quanto possível, enquanto educamos novas gerações.”
“Construir uma nação pede que reconheçamos que nós precisamos nos relacionar constantemente com os outros, rejeitando uma mentalidade de hostilidade para poder adotar uma de subsidiariedade recíproca”, completou.
Para ele, a crise dos refugiados é algo sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial, e o drama no continente americano representa “grandes desafios e decisões difíceis”. (AG)
