Na primeira semana após o início oficial das campanhas, candidatos declararam à Justiça Eleitoral gastos de R$ 87 milhões, principalmente com publicidade.
Apesar de parte dos políticos manifestar interesse em usar as redes sociais como forma de convencer o eleitor e reduzir custos, a propaganda em material impresso – panfletos, adesivos e santinhos – consumiu mais recursos – R$ 10 milhões em nove dias. Já o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais teve gastos de R$ 381 mil.
As informações constam no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que apresenta neste ano, pela primeira vez, as prestações de contas em um sistema digital dedicado à eleição. A divulgação visa dar transparência ao gasto do dinheiro público – as campanhas terão R$ 1,7 bilhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, além de parte da verba do Fundo Partidário.
Nomes religiosos
Seria a fé capaz de mover montanhas de votos? Ao menos 569 dos mais de 28 mil candidatos inscritos nesta eleição testarão essa hipótese.
É o montante, entre os que buscam cargos de deputados estadual e federal, Senado, governos e Presidência, que incorporou algum título religioso no nome de urna. Caso do deputado Pastor Marco Feliciano (Podemos-SP), em busca da segunda reeleição. Apresentar-se assim, “tal qual uma marca ou logotipo, de forma simples, remete o eleitor ao caráter do candidato”, diz.
As designações preferidas são ligadas a igrejas evangélicas, como pastor, irmão e missionário e suas inflexões femininas. Não que sejam tantas assim: mulheres são ainda mais raras nesse nicho: 24%, contra 30,7% no bloco total.
O levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo aponta para um grupo com perfil bem distinto do quadro geral – um estrato mais masculino, mais velho e com menor grau de estudo. E também menos branco. Enquanto 52,67% do total de candidatos declararam ter essa cor, no quinhão religioso o percentual é de 36,73%.
Esse bloco espelha a atual bancada evangélica na Câmara. Também ela é menos diplomada, menos branca e mais nova do que a média de parlamentares. A idade média entre os 80 deputados que compõem a frente evangélica é de 50 anos; a do total da Casa, 54. Entre os candidatos de 2018, os que carregam nomenclatura religiosa têm, em média, 47,8 anos; a faixa etária geral fica em 49,7 anos.
Quase metade dos inscritos no pleito (que ainda podem ter a candidatura impugnada) possui ensino superior. Só 26,5% dos religiosos o têm. Aspirantes à Câmara e às assembleias legislativas estaduais são maioria. Só oito concorrem ao Senado, entre eles o Pastor Everaldo (PSC-RJ), único presidenciável a ostentar o título religioso em um pleito nacional – amealhou 0,75% dos votos na corrida de 2014.
A legenda com mais adeptos de nomes de fé é justamente o PSC de Everaldo: 12,8% do total. Em seguida vêm Patriota (do presidenciável Cabo Daciolo), PHS, PROS, PRTB e PRB, todos na casa dos 5%.
