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Não compete ao Exército discutir se a cloroquina é boa ou ruim, diz o vice-presidente Hamilton Mourão sobre a distribuição do medicamento

Para vice-presidente, Exército cumpre determinação do Ministério da Saúde ao produzir remédio. (Foto: Romério Cunha/VPR)

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira (28) que “não compete ao Exército discutir se a cloroquina é boa ou ruim” no tratamento contra a covid-19.

A cloroquina é comprovadamente ineficaz contra covid, que matou mais de 456 mil brasileiros desde o ano passado.

O vice, que é general da reserva, deu a declaração ao comentar a informação repassada pelo Comando do Exército à CPI da Covid a respeito do aumento da distribuição de cloroquina pelo laboratório da Força.

O Laboratório Químico Farmacêutico do Exército distribuiu em 2020 mais de 11 vezes a quantidade de comprimidos de cloroquina a hospitais militares e secretarias de Saúde estaduais e municipais do que fez nas distribuições de 2018 e 2019.

O aumento é motivado pelo uso do medicamento no tratamento contra covid-19, incentivado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Exército aumentou em 11 vezes a distribuição de cloroquina em 2020.

De acordo com Mourão, o Exército somente cumpriu ordens ao receber dinheiro do Ministério da Saúde para ampliar a produção de cloroquina.

“O Ministério da Saúde repassa um recurso para o Exército, e não compete ao Exército discutir se a cloroquina é boa ou ruim. Ele tem o laboratório que produz, recebeu a tarefa, produziu e entregou. Nada demais nisso aí na minha visão”, disse o vice em entrevista na chegada ao Palácio do Planalto.

O Comando do Exército informou à CPI que a distribuição e produção do medicamento foi determinada pelo Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde e que atendeu a uma nota informativa do ministério que orientava o uso da cloroquina como “terapia adjuvante no tratamento de formas graves da covid-19″. A nota também “determinou a distribuição imediata do fármaco”.

CPI da Covid

Em coletiva de imprensa nesta sexta, Mourão classificou o trabalho dos senadores, na CPI da Covid, como “desorganizado”.

Nas palavras de Mourão, seria necessário a Comissão Parlamentar de Inquérito concentrar seus esforços em analisar o que o governo como um todo fez, e não apenas como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) agiu. “O objetivo da CPI, qual é? Avaliar as ações do governo federal no combate à pandemia — e não a ação do presidente.”

Mourão diz que três pontos chaves deveriam ser o foco: saúde, economia e questões sociais.

“São três setores: o primeiro, da saúde. Então vamos ver o que foi feito para minorar os efeitos da doença. Dois, o setor da economia. O que foi feito para mitigar os efeitos do lockdown na economia? E o número três, o social, o que foi feito para auxiliar as pessoas que estavam passando dificuldades?”.

Ele complementou: “Eu acho que está desorganizado. Deveria se organizar dentro destas três áreas.” “Se ela se organizar dentro disso aí, chegará a um resultado e um relatório, vamos dizer assim, decente e honesto”, concluiu.

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