Depois de o Partido dos Trabalhadores ter tentado emplacar a tese fracassada de que os pagamentos do escândalo do mensalão se resumiram a caixa dois de campanha, procuradores da força tarefa da Operação Lava-Jato tomaram a frente para minar, desde essa segunda-feira, a possibilidade de recursos recebidos pelo marqueteiro João Santana no exterior serem meros recursos não contabilizados à Justiça Eleitoral.
Para o procurador Carlos Fernando Lima, o caso de Santana, que recebeu pelo menos 7,5 milhões de dólares em contas secretas, não é caixa dois. “É corrupção”, resumiu.
Ao comentar a 23ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Acarajé, Lima ainda negou que haja uma espécie de disputa direta contra o Grupo Odebrecht, já investigado no petrolão, e alvo de nova investigação nesta etapa dos trabalhos de apuração. O MP (Ministério Público) chegou a pedir nova prisão do herdeiro e ex-presidente do grupo Marcelo Odebrecht, mas o juiz Sérgio Moro negou o pedido.
“Não existe queda de braço com a Odebrecht. Existe um trabalho normal da acusação e da defesa. O que temos hoje para este pedido de prisão [não acatado] são indicativos claros de obstrução por parte da empresa e especificamente de seu principal executivo, Marcelo Odebrecht, no sentido de retirar do Brasil pessoas que hoje identificamos como responsáveis por pagamentos no exterior”, explicou.
