Não é de hoje que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem de esclarecer sobre suas moradias residenciais – sejam dele ou não. A primeira vez, formal, foi em novembro de 1997. Ele prestou depoimento a uma comissão de ética do próprio PT, sobre o chamado “caso CPEM”, como ficou conhecida a denúncia do economista e então dirigente petista Paulo de Tarso Venceslau, contra a empresa de consultoria CPEM.
O economista acusou o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, então presidente de honra do partido, de propor a contratação da empresa, por prefeituras petistas, sem licitação, para prestar assessoria no setor de arrecadação de impostos. Em contrapartida, a consultoria daria dinheiro para campanhas da legenda. Venceslau também questionou o fato de Lula morar de graça, durante oito anos, em um imóvel de Teixeira.
O PT criou uma comissão de ética para apurar Venceslau. “Não tem mais sentido eu voltar para aquela casinha”, disse Lula ao colegiado, no dia 14 de novembro de 1997. A “casinha” era seu único imóvel desde sua primeira declaração de bens à Justiça Eleitoral, em 1982. Ficava em São Bernardo do Campo (SP) e era financiada pela Caixa Econômica Federal, segundo ele próprio declarou ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo no dia 11 de agosto daquele ano. Era sua primeira candidatura pelo PT a um cargo político – o de governador do Estado. (AE)
