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Não há motivos para tirar Dilma do cargo, diz presidente do Itaú Unibanco

Presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, disse que tirar a presidenta do poder agora “criaria uma instabilidade ruim para nossa democracia”. (Foto: Onne Roriz/AE)

Uma das vozes mais influentes do empresariado brasileiro, o banqueiro Roberto Setubal faz uma defesa contundente da permanência da presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Impeachment por corrupção, “pelo que vi até agora, não tem cabimento”, afirma o presidente do Itaú Unibanco. “Pelo contrário, o que a gente vê é que Dilma permitiu uma investigação total sobre o tema.” Outro argumento usado pela oposição, as manobras para melhorar as contas do governo (pedaladas fiscais), podem “merecer punição”, mas não são “motivo para tirar a presidente”, segundo o banqueiro.

Maior banco privado do País, o Itaú foi fortemente hostilizado pelo PT na campanha presidencial de 2014. Na visão de Setubal, tirar a presidenta do poder agora “criaria uma instabilidade ruim para nossa democracia”.

A seguir, alguns trechos da entrevista:

Folha – A presidenta Dilma está sofrendo ameaça de um processo de impeachment, pressão por sua renúncia e manifestações de rua contra seu governo. O sr. vê motivos para tirá-la do Planalto?

Nada do que vi ou ouvi até agora me faz achar que há condições para um impeachment. Por corrupção, até aqui, não tem cabimento. Não há nenhum sinal de envolvimento dela com esquemas de corrupção. Pelo contrário, o que a gente vê é que Dilma permitiu uma investigação total sobre o tema. Era difícil imaginar no Brasil uma investigação com tanta independência. A Dilma tem crédito nisso.

Folha – E as pedaladas fiscais?

Isso é grave e pode merecer algum tipo de punição. Mas não me parece ser motivo para tirar a presidenta. Até porque presidentes anteriores a ela passaram por situações semelhantes. Seria um artificialismo querer tirar a presidenta neste momento. Criaria uma instabilidade ruim para nossa democracia.

Folha – Empresários dizem que, se o vice Michel Temer entrasse no lugar de Dilma, o País teria mais chance de sair da crise…

Não se pode tirar um presidente do cargo porque ele momentaneamente está impopular. É preciso respeitar as regras do jogo, precisa respeitar a Constituição. Eu sou a favor da Constituição.

Folha – Como avalia o comportamento da oposição nessa crise?

Não vou falar especificamente da oposição. Mas o que está faltando é discutir o País. Há uma grande discussão sobre poder e pouca discussão sobre o País. Precisamos debater quais as reformas necessárias para que possa se recuperar. Só estou vendo muita discussão de poder pelo poder. (Folhapress)

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