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“Não se pode satanizar a indicação política”, disse o presidente da Caixa após suspeitas

O presidente disse acreditar que a reforma da Previdência será aprovada em fevereiro.  (Foto: Beto Barata/PR)

O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, disse que o banco vai publicar nesta quarta-feira (17) uma portaria indicando quem serão os substitutos interinos para os quatro vice-presidentes afastados nesta terça (16) pelo presidente Michel Temer.

A interinidade terá um prazo de 30 dias. Se, após este prazo, o julgamento das defesas dos dirigentes não for concluída, a competência passará ao Conselho de Administração da Caixa.

Na sexta-feira (19), o Conselho vai aprovar um novo estatuto que dará ao presidente do conselho (a secretária do Tesouro) o poder de indicar e exonerar os vices da Caixa.

“Para não deixar o lugar vago, preciso nomear interinos. Farei hoje, por 30 dias. Caso não se resolva, aí o Conselho é o competente para prorrogar a interinidade desses vices-presidentes. Os outros continuam afastados enquanto não se dá ampla defesa”, disse Occhi.

As indicações dos dirigentes afastados – e dos que permanecem – são em sua maioria indicações políticas, para atender à base de apoio do presidente da República no Congresso.

O presidente da Caixa disse que não se “pode satanizar as indicações políticas” e que elas são “normais, ainda mais em um banco público”.

Para Occhi, as suspeitas envolvendo o banco estão ocorrendo por conta de “duas pessoas que passaram por aqui, e, hoje, estão presas”.

Ele se refere ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) e ao ex-dirigente do banco Fábio Cleto – indicado por Eduardo Cunha.

“Não se pode generalizar. É uma minoria. Tem muita gente honesta e com ética no banco”.

Delação de Funaro

Occhi foi indicado pelo PP. Ele foi delatado por Lúcio Funaro, apontado nas investigações como operador de propinas. Segundo Funaro, Occhi tinha “meta mensal” de propina para distribuir a políticos do PP com dinheiro da Caixa.

Occhi nega “veementemente” a declaração. A auditoria da Caixa recomenda que a declaração de Funaro sobre Occhi seja aprofundada.

Quem são os vices

Antônio Carlos Ferreira (Vice-presidente Corporativo)

Os documentos apontaram várias interferências políticas. Entre elas, do ex-deputado Eduardo Cunha junto a Antônio Carlos Ferreira. O MP cita o fato de o próprio Ferreira ter contado que o ex-deputado Eduardo Cunha colocou condições para mantê-lo no cargo. Entre elas, encontrar-se frequentemente com o deputado. Outra condicional era fornecer listas de operações acima de R$ 50 milhões para ajudar a “rentabilizar seu mandato”.

Ferreira também teria dito aos investigadores que quatro consultores que trabalhavam com o ex-ministro Geddel Vieira Lima poderiam ser fontes de vazamento de informações privilegiadas da Caixa. E que, depois do afastamento de um deles, Rodrigo Rocha Loures teria procurado Gilberto Occhi, para tratar de operações de interesse da Rodrimar, empresa que opera no Porto de Santos.

Os procuradores contam ainda que Ferreira disse que foi orientado por Occhi para visitar a JBS para a renovação de uma linha de crédito. O executivo já tinha sido citado na delação de Joesley Batista.

Deusdina dos Reis Pereira (Vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias)

Ela afirmou aos investigadores possuir suporte político do PR. Trabalhou diretamente com Fábio Cleto, preso por vender informações privilegiadas ao doleiro Lúcio Funaro e Eduardo Cunha.

A corregedoria da Caixa pegou e-mails trocados entre ela, Mauro Lemos e Carlos Eduardo Nonô. No texto, Deusdina cobrava assumir posto no Conselho de Administração da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e insinuava troca de interesses diante de um empréstimo da Caixa.

Roberto Derziê de Sant’Anna (Vice-presidente de Governo)

Com ele, Cunha e Geddel Vieira Lima teriam intermediado interesses do dono da Gol, Henrique Constantino. Derziê ainda aparece como recebedor de pagamentos indevidos na delação de Joesley.

Segundo o relatório de investigação interna, “documentos obtidos durante o processo de análise forense revelaram ainda que, efetivamente, Roberto Derziê e Moreira Franco possuem uma relação de proximidade e que Derziê por vezes recebeu pedidos de Moreira Franco, inclusive em relação ao fornecimento de informações sobre o status de operações em trâmite na CEF”. Derziê, entretanto, diz que não deu retorno ao ministro.

Foi nomeado secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais em 2015.

O presidente Michel Temer também aparece no relatório de investigação interna da Caixa.

José Henrique Marques da Cruz (Vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital)

A investigação interna constatou que José Henrique Marques da Cruz, vice-presidente de Redes, mantinha relações com Geddel e Cunha e que eles se interessavam especificamente pela Mafrig, Seara e J&F. Eles teriam pressionado para que fossem assinados documentos referentes à operação do grupo de Joesley.

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