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“Não sei se o coronel Mauro Cid fez tudo isso sozinho”, diz Flávio Bolsonaro sobre fraude da vacina

Maioria da oposição diz que visita de Dino é perda de tempo. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que seu pai jamais autorizou qualquer pessoa a falsificar seu cartão de vacinação contra a covid-19. O parlamentar também disse que o ex-ajudante de ordens do ex-presidente, o coronel Mauro Cid, tem que “falar por que fez, se é que fez”.

“Não sei se ele fez tudo isso sozinho. Sei que o presidente nunca teve um cartão de vacinação falsificado e nunca autorizou ninguém a fazer isso. Ele [Cid] tem que falar por que fez, se é que fez isso”, disse Flávio em entrevista ao jornal O Globo.

Mauro Cid ficou em silêncio em seu depoimento à PF (Polícia Federal), nesta quinta-feira (18), mas abriu mão do sigilo fiscal da sua conta bancária em Miami, nos Estados Unidos. O gesto é uma tentativa de dar um sinal de cooperação aos investigadores. A oitiva tinha como foco o esquema de fraude em cartões de vacinação dele, de seus familiares e de Bolsonaro.

Ele está preso desde o dia 3 de maio, quando a PF deflagrou a Operação Venire, que realizou mandados de busca e apreensão e mandados de prisão. Na casa de Cid, no início do mês, a PF encontrou US$ 35 mil e R$ 16 mil em espécie que estavam guardados em um cofre.

Segundo as investigações, os valores teriam sido sacados pelo ex-ajudante de ordens de sua conta em Miami, em março. O retorno do militar com o montante teria acontecido um dia antes de o ex-presidente Bolsonaro voltar ao Brasil, após passar uma temporada de três meses em Orlando, nos Estados Unidos.

Após o revés do bolsonarismo na eleição presidencial de 2022, Flávio Bolsonaro já traça a estratégia para os próximos pleitos, o que inclui sua própria candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro no ano que vem e uma alternativa ao Planalto para 2026, caso o ex-presidente Jair Bolsonaro seja declarado inelegível pela Justiça Eleitoral (TSE).

No entanto, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira, em declaração à Jovem Pan, que Flávio não vai disputar a prefeitura do Rio no ano que vem. “Flávio quer muito a candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, acredita que pode melhorar a cidade replicando as boas práticas e resultados positivos que conseguimos enquanto fui presidente”, pontuou Bolsonaro à Jovem Pan. O ex-presidente, no entanto, prosseguiu: “Ele foi muito importante no Senado durante o meu governo e preciso dele lá fazendo articulação política e ajudando o estado do Rio de Janeiro”.

Na sequência, Bolsonaro defendeu que o filho seja protagonista na articulação política em diferentes cidades fluminenses. “Nas eleições municipais de 2024, quero ele organizando os palanques nos 92 municípios do Rio, pois o PL (Partido Liberal) tem o projeto de fazer uma grande quantidade de prefeitos e vereadores em todo o Brasil”.

O ex-presidente, porém, ainda não fechou a escolha de uma alternativa ao nome do filho na corrida carioca. “Conversamos e ele vai comunicar ao nosso grupo político no Rio que não será candidato”, frisou. “Vamos escolher o melhor nome para disputar a capital com o nosso apoio”, encerrou Bolsonaro.

Na entrevista ao jornal O Globo, Flávio foi enfático ao demonstrar interesse na candidatura. Ele chegou a fazer ataques diretos ao prefeito Eduardo Paes (PSD), que disputará a reeleição e deve ser o principal adversário do postulante bolsonarista ao cargo.

“Estou trabalhando para ser candidato. Tenho feito muitas reuniões e visto pesquisas. É importante termos um nome competitivo. A população não vai dar uma quarta oportunidade para quem já teve três e até agora não resolveu os problemas estruturais do Rio. Errar duas vezes é humano, três vezes é burrice e errar uma quarta é Eduardo Paes.”

Flávio também lembrou da disputa em 2016, quando amargou o quarto lugar e não foi sequer ao segundo turno, disputado à época por Marcelo Crivella e Marcelo Freixo.

“Ele [Jair Bolsonaro] concordou que eu fosse candidato em 2016, mas tinha preocupação com a situação financeira da Prefeitura. Por isso, não me apoiou de uma forma explícita. Em 2024, eu só serei candidato se Bolsonaro abraçar de verdade a campanha. A palavra final é dele. Hoje tem muito mais chances de ele autorizar a candidatura do que há três, quatro meses.”

Flávio também classificou as acusações contra o pai como “frágeis” para impedi-lo de concorrer à Presidência nas próximas eleições, mas disse que enxerga o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como a alternativa mais forte. “As acusações são muito frágeis. Sinceramente, não acredito que isso vá ocorrer [Bolsonaro se tornar inelegível]. Agora, se acontecer, tem vários nomes que o presidente Bolsonaro sempre cultivou, como o Tarcísio de Freitas.” As informações são do jornal O Globo.

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